A prisão da proprietária da Clínica de Vacinas Vacix, em
Novo Hamburgo, começou a ser desenhada com uma denúncia levada à Polícia Civil
há poucas semanas. A autora da revelação de procedimentos irregulares é Juliana
Venske, 35 anos, técnica em Enfermagem formada pela Escola Profissional
Unipacs, de Taquara.
Funcionária da clínica desde 22 de agosto de 2017, a
moradora de Novo Hamburgo é peça chave na investigação liderada pelo delegado
Rafael Liedtke, titular da Delegacia Especializada da Defesa do Consumidor
(Decon) e do Combate aos Crimes contra a Saúde. Foi a partir do seu relato que
a farmacêutica Luciana Sandrini Rihl, 37 anos, foi presa por Liedtke na
quarta-feira (14), quando chegava para abrir a Vacix, na avenida Maurício Cardoso, em Hamburgo Velho. Luciana chegou a ser
levada ao Presídio Feminino Madre Pelletier, mas a Justiça concedeu o direito da
prisão domiciliar.
Nesta sexta-feira (16), Juliana decidiu fazer uma revelação
em seu perfil no Facebook: ela se apresentou com autora das denúncias. A coragem
de vir a público revelar sua identidade tem rendido dezenas de elogios e
palavras de apoio, mas também alguns comentários questionando seu
caráter. “Agora tenho a oportunidade de explicar o que ocorreu. E a primeira
coisa importante a ser falado é que, até dezembro do ano passado, quem se
vacinou comigo não deve se preocupar, pois todos os procedimentos foram
corretos”, garante.
A técnica em Enfermagem afirma que a rotina na clínica
começou a mudar em janeiro deste ano. Via de regra, era Juliana que fazia todas
as vacinas e atendia os clientes. Isso mudou no mês passado, quando Luciana
teria assumido a tarefa de vacinar muitos clientes. “Ela me orientou a ficar
uns dias em casa realizando um trabalho mais burocrático. Estranhei, pois
poderia ficar na clínica. Quando retornei, percebi uma série de procedimentos
estranhos”. Destaca.
A denunciante comenta que percebeu a venda de diversas
vacinas que a Vacix não tinha em estoque, em especial contra febre amarela,
meningocócica B e meningocócica ASWY. Ela conferiu recibos de cartões de crédito com cobrança de vacinas que não se tinha em estoque. “Eu questionava de onde ela conseguia, e
sempre vinha uma resposta diferente. Eu sabia que os representantes não tinham.
Ao mesmo tempo, via que ela se fechava na hora de aplicar as vacinas. Com as
crianças, ela fazia o procedimento básico, contava 1, 2 e 3, e numa vez vi que nada foi introduzido”,
relata.
Juliana também recorda de um casal que estava com viagem
marcada para Índia. Eles precisavam de vacina contra hepatite A e febre tifoide. “Mas
só tínhamos uma dose em casa da tifoide. Mesmo assim, ela aplicou e cobrou por
duas”, afirma. “Depois de fazer questionamentos e sempre ter uma outra
desculpa, achei que era hora de denunciar o que estava ocorrendo”, completa.
Uma das principais dúvidas na investigação da Polícia Civil
é saber quantas pessoas podem ter sido vítimas dos procedimentos irregulares.
Juliana não tem como precisar, mas estima que 40 clientes – entre crianças e
adultos – devem ter sido vítimas, pagando e não sendo vacinados. “Algumas
pessoas estão me atacando pelo fato de que não ter denunciado antes. Mas é
importante reforçar que essa situação é de janeiro deste ano. Ou seja, quem foi
na Vacix em 2017 não deve se preocupar”, salienta.
Sobre reaproveitamento de agulhas e seringas nas supostas injeções,
Juliana destaca que existem alguns casos em que a seringa é embutida, acoplada
na embalagem, ou seja, não tem como separar. E esse material era utilizado e
ficava por lá. “Talvez tenha sido feita esterilização com álcool”, imagina.
No final de janeiro deste ano, a técnica em Enfermagem pediu
demissão. Neste momento, está cumprindo o aviso prévio. A situação dele
permanece em aberto, já que a proprietária está presa. Ela disse não se
arrepender do que fez e que está com a consciência tranquila. “Fico à
disposição dos clientes da Vacix para tranquilizá-los e repassar informações.
Podem me adicionar no Facebook para que o pessoal possa tirar suas dúvidas”,
reforça.
CONFIRA REPORTAGENS ANTERIORES SOBRE O CASO DA CLÍNICA DE VACINAS
Polícia Civil realiza operação e lacra clínica de vacinas em Novo Hamburgo – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Delegado detalha operação que lacrou clínica de vacinas. Advogado da proprietária presa afirma: “É um crime sem vítimas” – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Vigilância Sanitária de Novo Hamburgo divulga orientações em razão da interdição de clínica de vacinas – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Justiça nega pedido para soltar da prisão proprietária da clínica de vacinas interditada – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas repudia ação fraudulenta na aplicação de vacinas – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Proprietária da clínica de vacinas em Novo Hamburgo ficará em prisão domiciliar – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

























