A riqueza econômica, social e cultural e o vanguardismo de Novo Hamburgo no cenário gaúcho nem sempre são compreendidos por muitos moradores da cidade. É que algumas respostas estão no passado – não muito distante. Para assimilar e dimensionar o quanto os hamburguenses deram duro para trazer progresso e desenvolvimento para o município, cria-se a necessidade de mergulhar na história. O jornal O 5 de Abril – o primeiro jornal do município – é um portal obrigatório para quem está atrás de confirmações.
Há 55 anos, por exemplo, na edição de 2 de dezembro de 1960, o semanário trouxe na sua capa reportagem sobre a produção de riquezas no município. Foi a reprodução de matéria produzida pelo jornalista Dante D´Angelo para o jornal Correio do Povo, com o título: “Novo Hamburgo, 1960: 1 Bilião Para o Poder Público”. A seguir, publico alguns dos trechos da reportagem:
Novo Hamburgo, 1960: 1 Bilião Para o Poder Público
10 milhões de pares de calçados no valor de 3 biliões – Maior expansão industrial estrangulada por falta de financiamento – Posição no quadro econômico do Estado – Preparados para exportar qualidade
Novo Hamburgo não brinca em serviço. O município tem um grande compromisso perante o poder público e por isto os seus minutos são contados, religiosamente. É que, Novo Hamburgo, irá até o fim do ano, deitar nas tesourarias da União, Estado e Município 1 bilhão de cruzeiros. Sabe o leitor o que isto significa?
Representa o orçamento dos Estados de Mato Grosso (457.904), Piauí (352.608) e Sergipe (403.533) quase reunidos. Ou então, superior a Goiás (968.364), Paraíba (951.730), Maranhão (564.868) e Rio Grande do Norte (696.964), tudo nas três esferas tributárias (IBGE, Anuário Estatístico de 1959).
O que os hamburguênses entregam ao poder público representa a soma de esforços de milhões de patrícios sem o índice de industrialização concentrado na vizinha cidade.
Outro grande compromisso que assumiram os bons hamburguênses: produzir êste ano 10 milhões de pares de calçados, no valor de 3 bilhões de cruzeiros, que deverão transitar pela BR2 (atual BR-116) em demanda aos mais recuados pontos deste vasto País.
Tudo em Novo Hamburgo vale bom dinheiro. É uma produção respeitável. Maquinaria, equipamento, consciência industrial e tradição invejável. No entanto, falta dinheiro para o giro normal. Nem é para novas instalações. Às vêzes, até para o sêlo.
Agora, estes intrépidos homens de emprêsa estão imbuidos de uma iéia fixa: Exportação. Convenceram-se de que seus horizontes devem ser ampliados e acalentam com particular carinho êste objetivo. Sabem que exportação significa 70% de dinheiro em caixa.
Hoje, o calçado enveredou para um rumo de grandes perspectivas, tendo em vista o interesse que começa a despertar o nosso produto nos Estados Unidos. Nova Iorque quer conhecer nossos modelos. Por certo sabem que podemos oferecer qualidade. Mas, quando se dispuser, aquela cidade, a comprar sapato, não haverá mãos a medir. Principalmente calçado de mulher. Será mais dinheiro que virá para o Estado. Melhores salários, mais fábricas, arrecadações crescentes, enfim perspectivas de riqueza. Todos ganharão e a comunidade ficará, ainda, mais próspera.
Ao apelo de uma consciência de maioridade, para o Rio Grande do Sul, cumpre declarar aqui que Novo Hamburgo responde com sua mentalidade adulta.

























