Com uma nova rodada da vacinação contra a Covid-19 sendo realizada nesta semana, a reportagem do Portal Martin Behrend passou a receber vários questionamentos de leitores.
Uma das principais dúvidas – e queixas dos leitores – envolve a vacinação de profissionais da saúde que não estão na linha de frente e a prioridade diante dos idosos acima de 80 ou 85 anos.
Confira algumas mensagens recebidas:
“Como está a situação de vacinação? Meu sogro é idoso, já teve vários AVCs e está sempre tendo que ir no posto de saúde, agora foi vacinado. Só que dentistas e dermatologistas foram antes. Cada município decreta o que é prioridade? Só por que são da área de saúde? Está tão sem rumo isto. Todo mundo que faz Ciências Médicas vai poder tomar vacina antes dos idosos!”
“Tenho pais idosos em Novo Hamburgo, com 85 e 93 anos. Fiquei
surpresa com a priorização da vacinação para
profissionais da saúde que não estão na linha de frente ao combate à Covid e, portanto, correm os mesmos riscos que inúmeros outros
profissionais de outras áreas vem correndo ao longo desses meses.”
“Espero que estejam guardando vacinas suficientes para a
vacinação dos idosos e também para a segunda dose
deles. Parece que criaram uma forma ‘legal’ de furar a fila. Eu, como familiar de idoso, estou me sentindo
insegura e desrespeitada quanto à vacinação dos meus pais e demais
idosos.”
GOVERNO FEDERAL
Os municípios seguem uma orientação do governo federal, através do Ministério da Saúde.
O Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, elaborado pelo Ministério da Saúde, estabelece uma ordem de vacinação para os grupos prioritários.
A seleção das populações com prioridade na imunização foi baseada em princípios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e feita em acordo com entidades como o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
O Ministério da Saúde optou por priorizar a vacinação de determinados grupos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, a proteção dos cidadãos com maior risco para coronavírus, além da preservação do funcionamento dos serviços essenciais.
Para isso, foi definida uma lista de grupos prioritários, que somam mais de 77,2 milhões de brasileiros. Confira abaixo – a prioridade segue a ordem da lista:
- Pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas;
- Pessoas com deficiência institucionalizadas;
- Povos indígenas vivendo em terras indígenas;
- Trabalhadores de saúde;
- Pessoas de 80 anos ou mais;
- Pessoas de 75 a 79 anos;
- Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas;
- Povos e comunidades tradicionais quilombolas;
- Pessoas de 70 a 74 anos;
- Pessoas de 65 a 69 anos;
- Pessoas de 60 a 64 anos;
- Comorbidades;
- Pessoas com deficiência permanente grave;
- Pessoas em situação de rua;
- População privada de liberdade;
- Funcionários do sistema de privação de liberdade;
- Trabalhadores da educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA);
- Trabalhadores da educação do Ensino Superior;
- Forças de segurança e salvamento;
- Forças Armadas;
- Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros;
- Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário;
- Trabalhadores de transporte aéreo;
- Trabalhadores de transporte aquaviário;
- Caminhoneiros;
- Trabalhadores portuários;
- Trabalhadores industriais.
O Ministério da Saúde recomenda que os gestores de saúde sigam essa ordem estipulada pelo Plano de Vacinação, de acordo com as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Com a lógica tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS), estados e municípios têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação e dar vazão à fila de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas.
ESTRATÉGIAS
Cabe destacar que os municípios precisam ajustar a lista dos grupos de acordo com as doses de vacinas recebidas – e enviadas pelo governo federal.
Por isso, algumas estratégias tem sutis diferenças entre os municípios, pois existem mais ou menos doses de acordo com os grupos prioritários indicados pelo governo federal.
No começo desta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou que o governo defina uma ordem de preferência, entre os grupos prioritários, para orientar a vacinação contra a Covid-19.
Conforme Lewandowski, o governo federal não deixa claro qual desses grupos deveria ser atendido primeiro, principalmente pela escassez de vacinas no país – menos de cinco milhões de brasileiros foram vacinados, menos de 3% da população.

























