Se não fosse pelo Teatro Feevale e por criações pontuais e independentes de talentos locais – escritores, pintores, atores, cantores e artistas em geral -,
a cultura em Novo Hamburgo estaria se encaminhando para o fundo do poço. O protagonismo negativo da gestão do prefeito Luis Lauermann (PT) vem sendo decisivo
para o enfraquecimento e o empobrecimento do ambiente cultural em diferentes áreas. Nas mãos de Carlos Mosmann, a Secretaria da Cultura vive um dos piores momentos da sua história. A sucessão de descasos vem sem acumulando há alguns anos, ganhando acelerado impulso a partir de 2013. Registro abaixo dez capítulos de uma triste novela que poderia se chamar Titanic…
Descaso com a Fundação Scheffel – Por desinteresse e falta de atitude do secretário municipal, o museu teve energia elétrica e telefone cortados por falta de pagamento no primeiro semestre. Foi a suprema humilhação com o espaço que, poucas semanas depois, foi tombado pela presidente Dilma Rousseff como Patrimônio Histórico do Brasil. Mosmann fez de tudo para enfraquecer o repasse dos recursos para a Fundação, e teve de engolir calado o magnífico gesto da companheira Dilma.
Redução da Feira Regional do Livro – A Feira do Livro de 2015 foi apelidada de “feira fantasma”. Quase ninguém viu ou foi. Arrancada da Praça 20 de Setembro, no Centro, foi reposicionada nos pavilhões da Fenac. Ocorreu junto com a Mostratec e ficou escondida. Em 2013, a feira teve 11 dias de evento; em 2015, foi realizada em quatro dias e meio.
Festival Nossa Música – Evento criado na gestão do PT, o Festival Nossa Música mostrou-se uma alternativa interessante para revelar e destacar talentos locais. Em 2014, o prefeito Lauermann avaliou o evento: “Queremos valorizar a produção musical e cultural na nossa cidade.” Em 2015, o evento não foi realizado. Lauermann deve ter mudado de ideia, decidindo desvalorizar a produção musical e cultural.
Abandono do patrimônio histórico – Muito pouco foi feito para a preservação histórica e arquitetônica do município. Monumentos abandonados, prédios
caindo – o caso mais emblemático é a Semec 2, com parte da estrutura ruindo –, ausência de sinalização/indicação e falta de reação para preservar e incrementar essa riqueza cultural da cidade. Não proteger nosso patrimônio é abandonar a história. O patrimônio cultural está virando pó cada vez mais rápido.
Extinção do Coro Municipal de Novo Hamburgo – Mais um grupo com longos e positivos serviços prestados foi agonizando até ter suas atividades encerradas. O Coro Municipal fechou as portas e nunca mais reabriu.
Insegurança no Centro de Cultura Parahim Pinheiro Machado Lustosa – O blog Martin Behrend registrou a falta de estrutura em alguns andares do prédio, colocando em risco a segurança de centenas de pessoas que circulam pelo local. Embora tenha PPCI aprovado, o espaço não possui ainda o alvará de prevenção e proteção contra incêndio. É mais um sinal do desinteresse em investir num espaço público voltado para a cultura.
Conselho Municipal de Políticas Culturais
(CMPC) de Novo Hamburgo – Foi criado em abril de 2014 para ser um fomentador da cultura local. Houve um movimento positivo com a criação dos editais do “Teatro aos Domingos” e “Estímulo Cultural e Artístico” subsidiados pelo Fundo Municipal de Cultura (Funcultura), numa soma de repasses que alcançaria R$ 150 mil. Mas apenas 17 trabalhos se inscreveram comprovando o desinteresse e o afastamento da população. Também há críticas de aparelhamento político-partidário no conselho.
Cultura alemã – Ser descendente de imigrante alemão significa ser praticamente esquecido pela atual administração. Nos 190 anos da imigração alemã, celebrados com festa
no ano passado
em diversos municípios gaúchos, Novo Hamburgo não teve homenagens ou grandes celebrações. Neste ano, se corrigiu uma parte deste grave equívoco. Ignorar o passado e a força do imigrante alemão é um ato de discriminação e desrespeito.
Depredação de praças e parques públicos – Embora não seja obrigação da Secretaria da Cultura a manutenção de praças, é inegável que estes são espaços mundialmente consagrados como ambientes para difusão e ampliação da miscelânea cultural. Contudo, temos casos como Praça 20 de Setembro, Parque Floresta Imperial, Parque do Trabalhador, Praça do Imigrante, Praça Punta del Este, Calçadão, entre outros, abandonados ou parcialmente esquecidos pela administração – pichações, sujeira, luminárias quebradas, mato, lixo acumulado, sanitários inacessíveis, etc. Embora existam ações como o Projeto 20 ver na Praça, é muito pouco. Seriam ambientes adequados para ampliar o leque cultural do município ignorados para tal fim. A cultura tem obrigação de se apoderar das praças e parques.
Aparelhamento político-partidário – A Secretaria da Cultura é mais um espaço onde as competências foram deixas de lado para privilegiar distribuição de cargos e beneficiar conchavos políticos. Em nome de interesses pessoais e correntes políticas, se preenchem vagas – com salários generosos – ignorando a capacidade de atuar na linha de frente de uma área tão importante para qualquer administração preocupada com o futuro da cidade.
No começo da semana, entrei em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviei e-mail para seis integrantes da equipe de comunicação com questões direcionadas ao secretário de Cultura, Carlos Mosmann. A seguir, os esclarecimentos do secretário municipal para a comunidade hamburguense:

























