Gaúchos e gaúchas de todas as querências, preparem-se:
a vida ficará mais cara a partir de 2016.
Aquilo que já está ruim, vai piorar. Na noite de ontem, com 27 votos favoráveis e 26 contrários, foi aprovado o Tarifaço proposto pelo governador José Ivo Sartori (PMDB): o projeto eleva de 17% para 18% a alíquota básica do ICMS, que é aplicada a todas as operações e prestações de serviços dentro do Estado que não tenham alíquota específica. Já as alíquotas sobre os serviços de energia elétrica, álcool, gasolina e telefonia sobem de 25% para 30%. Em outras áreas, como perfumaria e cosméticos, cervejas e refrigerantes e TV por assinatura, as alíquotas também foram reajustadas. Até para ficar cheiroso vamos pagar mais!O Tarifaço do Sartori foi o caminho para enfrentar a crise nas finanças do governo gaúcho. Curioso: há alguns meses, durante a campanha eleitoral de 2014, ninguém mencionava essa possibilidade. Entrevistei diversos candidatos, acompanhei várias sabatinas, assisti a diversos debates em rádio e TV, e não recordo de algum candidato mencionar aumento de
impostos. Como é que, alguns meses depois de eleitos, mudam tão rapidamente de ideia? Isso tem um nome: traição ao eleitor.
A votação de ontem foi bastante apertada. Escolhi quatro personagens políticos do Vale do Sinos para registrar o sentimento de indignação de dezenas de leitores, que nas últimas semanas externavam sua revolta com a possibilidade do Tarifaço do Sartori ser aprovado.
João Fischer, o Fixinha (PP) – Votou a favor do aumento de imposto. Poderia ter reagido, já que alguns colegas do PP foram contra. Aliás, o governador Sartori precisou exonerar dois secretários estaduais do PP – Pedro Westphalen e Ernani Polo – para garantir mais votos favoráveis. Isso porque, os suplentes Marcel van Hattem e Gerson Borba já haviam se manifestado contra o Tarifaço. Fixinha poderia, tranquilamente, votar contra. Mas com Fixinha é assim: para aumentar o
próprio
salário
e aumentar impostos do povo gaúcho
ele sempre está a favor. Detalhe: Fixinha vai completar 24 anos como deputado. Logo, muita gente gosta de sua atuação.
Lucas Redecker (PSDB) – É o secretário estadual de Minas e Energia. Assim como ocorreu com os secretários do PP, poderia pedir exoneração, reassumir sua cadeira no Parlamento e votar contra o ICMS. Ou poderia ter articulado outro desfecho com seus pares. Mas Redecker lavou as mãos e deixou três colegas engordarem a votação do Sim. Detalhe: a bancada do PSDB tem quatro deputados e um não cedeu: Jorge Pozzobom foi contra o Tarifaço.
Giovani Feltes (PMDB) – O ex-prefeito de Campo Bom e deputado federal licenciado é o pai do Tarifaço. O atual secretário estadual da Fazenda sempre foi um crítico do aumento de impostos. Mas, no poder, muda completamente seu discurso. Deve ser registrada sua coragem e dedicação em fazer valer o projeto de aumento do ICMS. Lutou com todas as forças para emplacar suas ideias. Mas isso não emociona: a traição aos eleitores está configurada.
Tarcísio Zimmermann (PT) – O ex-prefeito de Novo Hamburgo foi contra o Tarifaço do Sartori. Aplausos e elogios. Contudo, mostrou oportunismo e incoerência com seu passado. Quando estava no Executivo hamburguense, Tarcísio aumentou o ISSQN em 50%. Eu não esqueci: Tarcísio foi o prefeito que reajustou imposto em 50%. Isso que Novo Hamburgo não estava em crise. E, ontem, o deputado estava lá sendo contra reajuste. É o típico oportunismo dos políticos.
O próximo capítulo na vida política brasileira será a votação do retorno da CPMF, “novo” imposto proposto pela presidente Dilma Rousseff (PT). E
os leitores
sabem o que está acontecendo em Brasília, onde o projeto será votado: o PT é a favor do Tarifaço da Dilma, e o PSDB, PP e parte do PMDB são contra. Os partidos que no RS foram contra aumento de impostos, em Brasília são a favor do aumentos de impostos. E vice-versa.
E aí, eleitor, qual é a solução? Preparem-se: a vida só vai piorar.

























