O cenário de Novo Hamburgo nos primeiros meses de 2025 é preocupante.
Professores denunciam uma série de problemas na educação. Esporte e cultura agonizam na cidade com corte de recursos e sem a realização de eventos – embora tenha dinheiro para acomodar vários CCs. A saúde tem seus problemas históricos.
Empresas são prejudicadas pelo fim de incentivos que garantem empregos e negócios. As ruas sofrem com buracos e desníveis. A dívida com o Ipasem só cresce e provoca efeito cascata.
Mas, para alguns vereadores hamburguenses, existem outras prioridades a serem discutidas.
Por 7 votos a 6, a Câmara de Novo Hamburgo aprovou nesta quarta-feira (2), em primeiro turno, a criação do Dia Municipal do Patriota. A data escolhida, 21 de março, é a mesma do aniversário do ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
O Projeto de Lei nº 9/2025 é assinado pelo vereador Juliano Souto (PL) – o mesmo que agradeceu aos militares pelo Golpe de 1964, quando o Brasil viveu um período de ditadura, fim das liberdades, torturas, perseguições, mortes pelo Estado, entre outros episódios.
“O patriota é aquele que ama seu país e procura servi-lo da melhor forma possível, com um sentimento voluntário de amor e pertencimento. Ama sinceramente os heróis e os pais fundadores da nação, suas riquezas naturais e compartilha desse sentimento com todos que fazem o mesmo. O patriotismo está acima do amor por um governo ou partido específico. Engloba o amor por todo o conjunto de valores, tradições e gestos que um determinado povo comporta. O patriota luta para que esses símbolos sejam preservados, valorizados e transmitidos, tudo isso aliado à construção de uma sociedade melhor”, fundamentou o proponente, correligionário de Bolsonaro.
O PL nº 9/2025 recebeu os votos contrários de Daia Hanich (MDB), Eliton Ávila (Podemos), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Nor Boeno (MDB) e Professora Luciana Martins (PT).
Daia e Eliton justificaram seus posicionamentos lembrando a existência de outras datas que julgam ter finalidades semelhantes, como o 7 de setembro e o 15 de novembro. “Além disso, precisamos evitar nesta Casa a polarização entre direita e esquerda”, opinou Daia. “Volto a frisar que sempre me posicionarei contrário a pautas relacionadas a questões ideológicas, seja o lado que for”, antecipou Eliton.
Ito Luciano (Podemos) expôs interpretação diferente. “Criar uma nova data não prejudica as outras”, rebateu. Aliás, Ito está cada vez mais alinhado aos integrantes da base do governo do prefeito Gustavo Finck (PP). Quem acompanha os bastidores da Câmara garante: Ito e Finck, que tinham se estranhado no passado, agora vivem uma lua de mel. O motivo seriaa a chegada de CCs de Ito no governo.
Como foi a votação em plenário*:
– Votaram a favor (7): Deza Guerreiro (PP), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Ito Luciano (Podemos), Joelson de Araújo (Republicanos), Juliano Souto (PL) e Ricardo Ritter – Ica (MDB)
– Votaram contra (6): Daia Hanich (MDB), Eliton Ávila (Podemos), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Nor Boeno (MDB) e Professora Luciana Martins (PT)
Como ainda depende de uma segunda votação em plenário, a proposta retornará à pauta na próxima segunda-feira (7).
Quando especialistas buscam entender os motivos de milhões de brasileiros não irem mais às urnas, cansados e decepcionados com a postura de políticos eleitos, alguns vereadores de Novo Hamburgo trazem a resposta pronta para essa realidade das abstenções.

























