Em julho de 2020, dezenas de cidades do Rio Grande do Sul estão convivendo com o drama das cheias e de enchentes de rios após chuvas intensas.
Municípios cortados pelo Rio Taquari, como Lajeado e Estrela, estão entre os que mais estão sofrendo com grande parte dos bairros cobertos pelas água.
Outros rios, como Caí, Antas, Jacuí, Gravataí e Sinos também estão transbordando. A água vai para fora do leito e invade ruas, casas e pátios de residências sem pedir passagem.
O Guaíba, em Porto Alegre, atingiu 2,60 metros. É a quinta maior marca de todos os tempos e vários moradores, principalmente das ilhas, estão desabrigados.
1941
Mesmo assim, essa marca de 2,60 fica bem abaixo do que ocorreu em 1941.
Nos meses de abril e maio daquele ano choveu muito. Mas choveu. E sempre que ocorrem grandes cheias volta ao noticiário a enchente histórica de 1941 que impactou em boa parte do Rio Grande do Sul.
Naquele ano, por exemplo, o Guaíba atingiu 4,76 metros em Porto Alegre!
A enchente deixou mais de 50 mil pessoas desabrigadas na capital gaúcha. Porto Alegre praticamente parou. Os cinemas fecharam, os trens pararam e houve muita dificuldade em abastecer a população de água potável e alimentos.
NOVO HAMBURGO
A enchente histórica de 1941 deixou muitos estragos em diversas cidades. Entre elas, Novo Hamburgo, cortada pelo Rio dos Sinos.
O jornal O 5 de Abril – o primeiro jornal de Novo Hamburgo – registrou durante o mês de maio e no começo de junho daquele ano os desdobramentos das cheias. As reportagens vinham sempre acompanhadas da manchete: “O Flagelo da Enchente”.
Bailes de Kerb foram cancelados, os Correios atrasaram toda a correspondência, estradas ficaram intransitáveis, pontes foram danificadas, o telégrafo interrompeu as transmissões e centenas de hamburguenses ficaram desabrigados.
Foram criadas comissões de apoio e campanhas para ajudar as famílias que tiveram de ser arrancadas de suas casas. Dezenas de doações foram realizadas.
TRECHOS DE REPORTAGENS
A seguir, o Portal Martin Behrend registra alguns trechos das reportagens publicadas pelo jornal O 5 de Abril nas edições de maio e junho. Foi mantida a grafia original:
– A zona marginal do Rio dos Sinos, principalmente no lugar denominado Rondonia, também foi atingida pelas águas que ocasionou alguns prejuizos aos moradores daquelas proximidades.
– Em outros pontos do município verificaram-se também desmoronamentos, destruição de varias pontes, pontilhões, boeiros, causando elevados prejuizos e interrompendo o transito em diversas partes.
– As varias olarias existentes neste município e localisadas na zona de Rondonia foram invadidas pelas águas e sofreram graves prejuizos.
– Desde sábado á tarde, Novo Hamburgo perdia a comunicação com a Capital. Os carros-motores e os trens suspenderam o trafego Os onibus faziam o transporte de passageiros, mas sómente até São Leopoldo e assim mesmo com muita dificuldade e grande morosidade.
-Sómente ainda restava o telefone e o Radio, sendo que o telegrafo também já estava interrompido desde segunda-feira passada.
– Na zona dos banhados entre esta cidade e o distrito de Lomba Grande, as aguas subiram 2 palmos e invadiram na extensão de 3 kilometros. 178 flagelados abandonaram suas casas e se recolheram para o distrito de Campo Bom.
– Todas as olarias estão debaixo d´agua e os operarios sem serviço. Na zona da Olaria Kroeff há 118 flagelados que pedem recursos.
– Na zona de Rondonia, até agora 15 familias abandonaram suas casas, recolhendo-se para casas de visinhos e parentes.
CONFIRA ABAIXO MAIS REGISTROS DAS EDIÇÕES DE MAIO DO JORNAL O 5 DE ABRIL. DOAÇÕES REALIZADAS, BAILES E EVENTOS CANCELADOS E MUITA MOBILIZAÇÃO

























