Em 6 de maio de 1927 – uma sexta-feira – teve início a história da imprensa no município de Novo Hamburgo. Foi quando circulou a primeira edição do pioneiro da imprensa hamburguense, o jornal O 5 de Abril.
Na noite anterior à circulação, a edição de quatro páginas foi impressa na sede da Typographia Hans Behrend, então na esquina das ruas Bento Gonçalves e Mariano de Matos.
Foram cerca de 200 exemplares. A expectativa era grande. E deu tudo certo. O 5 de Abril circulou em 6 de maio de 1927 e permaneceu em atividade por 35 anos, sendo a grande alavanca da comunidade na fase de afirmação do recém-criado município.
Para eternizar essa memorável data na história de Novo Hamburgo, foi criado em 2002 o Dia da Imprensa Hamburguense. A data escolhida foi 6 de maio exatamente pelo que representa e simboliza este dia. O projeto de lei criando o Dia da Imprensa Hamburguense teve como autor o ex-vereador Lucindo Amaral (In Memoriam) e foi sancionado pelo então prefeito José Airton dos Santos.
Também é de autoria de Lucindo Amaral o projeto de lei que concede a Werner Alcides Behrend o título de patrono da imprensa de Novo Hamburgo, consagrado na Lei Municipal 851/2003.
Neste Dia da Imprensa Hamburguense, quero agradecer e render homenagens:
– A Leopoldo Petry (mentor intelectual) e Hans Behrend (empreendedor e tipógrafo) que foram os grandes responsáveis pelo surgimento do jornal O 5 de Abril em 6 de maio de 1927.
– A Werner Alcides Behrend, que dirigiu por mais de 30 anos o jornal O 5 de Abril e é o Patrono da Imprensa de Novo Hamburgo.
– Ao ex-vereador Luciano Amaral (In Memoriam), pela sensibilidade e preocupação em deixar registrado para as futuras gerações uma data tão relevante para a história do município, como foi o 6 de maio de 1927.
– À Mesa Diretora da Câmara de Vereadores em 2008, formada por Antonio Lucas (presidente), Renan Schaurich, Jesus Martins e Cleonir Bassani, por levar adiante o projeto – aprovado em 26 de agosto de 2008 – que dá o nome de “Sala de Imprensa Werner Alcides Behrend” ao espaço utilizado pela Assessoria de Imprensa do Legislativo.
– A todos jornalistas e comunicadores de Novo Hamburgo que acreditam e fazem valer, na prática, que a boa imprensa e o bom jornalismo melhoram o mundo. Começando pela nossa cidade.
Neste ofício de jornalista, que encaro como uma missão de vida e onde tenho lições diárias – acertando, errando e procurando ser melhor a cada nova etapa –, carrego o legado deixado por meu bisavô, Hans Behrend, e por meu avô, Werner Behrend: cuidar, valorizar e proteger Novo Hamburgo, e procurar sempre se ater aos conceitos de ética, respeito, liberdade de imprensa e liberdade de expressão.
Aliás, aqui um capítulo à parte: Hans e Werner Behrend encararam a ditadura de Getúlio Vargas com seu Estado Novo; foram fiscalizados pelo governo federal durante a Segunda Guerra Mundial e tiveram de abolir o idioma alemão dos jornais (censura); foram sabatinados pelo DOPS para saber se estavam a favor ou contra a Alemanha; entre tantos episódios desgastantes que cercavam fazem um semanário nos anos 20, 30 e 40. Mas eles superaram tudo isso. Eles tinham um ideal e uma responsabilidade com a comunidade que representavam. Novo Hamburgo estava acima de interesses comerciais. Eles avançaram, mesmo com a censura. Eles foram além. Eles foram heróis. São meus heróis.
Finalizo registrando que é surpreendente que, em 2015, as ameaças à liberdade de imprensa e liberdade de expressão das quais eles foram vítimas na década de 1930 ainda existam em Novo Hamburgo. Aliás, estão presentes no dia-a-dia da imprensa hamburguense – e gaúcha e brasileira. Tomara que eu consiga levar adiante minha missão como jornalista. É o exemplo deixado por Hans e Werner Behrend que renova minhas energias. Viva o 6 de maio! Viva o Dia da Imprensa Hamburguense.

























