A Prefeitura de Novo Hamburgo decidiu não acatar integralmente as novas determinações do decreto estadual envolvendo a abertura do comércio em cidades gaúchas. Pelo menos até sábado (18).
Alterações no decreto que está valendo no Rio Grande do Sul foram anunciadas nesta quarta-feira (15) pelo governador Eduardo Leite (PSDB), e passaram a valer nesta quinta-feira (16).
Até sábado, seguem valendo no município as regras anunciadas pela prefeita Fátima Daudt (PSDB) no começo da semana, permitindo a abertura do comércio em geral desde que observadas regras de higiene, distanciamento social e a inexistência de aglomerações.
No decreto estadual, o governador liberou a abertura do comércio – mediante decretos municipais – em cerca de 450 municípios gaúchos. Só ficou mantido o fechamento do comércio na Região Metropolitana de Porto Alegre e Região Metropolitana da Serra gaúcha.
Contudo, menos de 24 horas depois de anunciar este posicionamento, Leite já fez uma alteração. No começo da tarde desta quinta-feira, ele anunciou que a Região Metropolitana da Serra gaúcha está com o comércio liberado, desde que com decreto municipal e regras de higiene.
Desta forma, só restou a Região Metropolitana com o comércio fechado.
Aqui estão as regras que seguem valendo em Novo Hamburgo: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/7709/titulo/isolamento-social-freou-propagacao-da-covid-19-e-novo-hamburgo-vai-flexibilizar-abertura-do-comercio-com-restricoes
Confira a manifestação da Prefeitura de Novo Hamburgo divulgada nesta quinta-feira:
“Como o Decreto 9206/2020 publicado pela Prefeitura de Novo Hamburgo na última terça-feira tem validade somente até este sábado, dia 18, a Prefeitura resolveu mantê-lo em vigor e, até lá, avaliar as mudanças necessárias para adequar o município ao novo decreto estadual publicado nesta quinta-feira pelo governo do Estado.
O decreto hamburguense reitera o estado de calamidade pública até dia 18, suspende as aulas até dia 30 de abril, proíbe o funcionamento de centros comerciais, shoppingcenters, teatros, cinemas, casas de espetáculos, shows e bailes, entre outros similares, que impliquem grande fluxo de pessoas. Também não permite o funcionamento de brinquedotecas, espaços kids, playgrounds e espaço de jogos, inclusive os localizados dentro outros estabelecimentos.
Além daqueles considerados essenciais, que já estavam liberados, Novo Hamburgo liberou a abertura de todos os estabelecimentos comerciais, desde que a portas fechadas e um cliente por vez. O estabelecimento também é responsável em não permitir fila nem aglomeração na sua entrada, de manter o ambiente higienizado e de oferecer álcool gel aos clientes, o mesmo valendo para prestadores de serviços.
O novo decreto proíbe expressamente a abertura de pubs e bares. Mas eles podem trabalhar desde que por meio de telentrega, drive thru ou take away (também conhecido como pague e pegue, atividade de retirada de alimentos ou produtos adquiridos previamente por meio eletrônico ou telefone).
Já restaurantes e lanchonetes podem abrir até as 17 horas, mas fica vedado o atendimento no balcão em qualquer horário. Após este horário, somente podem funcionar por meio de telentrega, drive thru ou pague e pegue. Também segue o que estava determinado anteriormente, de distanciamento de dois metros entre as mesas, além de toda a questão higiênica.
Os salões de beleza e barbearia podem abrir normalmente, conforme já previa decreto estadual, mas desde que não haja aglomeração de pessoas dentro e fora.”
ENTIDADES CRITICAM GOVERNO ESTADUAL
Confira a seguir as manifestações de duas entidades, CDL-NH e ACI-NH/CB/EV, contrárias à manutenção do fechamento do comércio em Novo Hamburgo.
CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE NOVO HAMBURGO (CDL-NH)
O
presidente da CDL NH, Jorge Stoffel, ficou extremamente surpreso após
novo decreto do Governo do Estado diante das restrições ao comércio até o
dia 30 de abril.
“Não
tem como aceitar isso. A CDL-NH, junto com outras entidades, se propôs a
manter todos os cuidados de segurança e higiene no combate à pandemia. O
número de casos confirmados do coronavírus, em Novo Hamburgo, não justifica manter
o comércio fechado. As consequências serão gravíssimas”, declarou
Stoffel.
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL, INDUSTRIAL E DE SERVIÇOS DE NOVO HAMBURGO, CAMPO BOM E ESTÂNCIA VELHA (ACI-NH/CB/EV)
A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha vem externar, publicamente, sua inconformidade ao Decreto 55.184, publicado pelo senhor governador do Estado do RS, Eduardo Leite, na noite de ontem, 15 de abril de 2020.
Desde o início da chamada pandemia – que segue duvidosamente caracterizada como tal, devido aos números extremamente baixos no RS – a ACI instalou um Gabinete de Gestão de Crise que buscou colher as informações dos Boletins Oficiais de dados sobre o vírus Covid-19, buscar avanços institucionais e trazer notícias sobre as pesquisas da cura e da descoberta de uma vacina para esta doença.
Buscamos entender e apoiar todos os esforços dos municípios e das empresas em prol da saúde, apresentamos protocolos de cuidados sanitários e de higienização para a retomada das atividades, participamos de inúmeras reuniões com a presidência da Assembleia Legislativa, representada pelo deputado Ernani Polo. Reunimo-nos também com o governador Eduardo Leite na busca dos critérios estatísticos e atualizados que balizassem as decisões de reabertura ou de manutenção das atividades.
Fomos, ontem, negativamente surpreendidos com o Decreto que, de forma generalizada, trata casos de municípios diferentes da região metropolitana (inclusive sobre municípios que não têm sequer um caso detectado). Esta publicação oficial parece encerrar em si uma solução simples para um caso complexo, o que, invariavelmente, dá errado no final, como disse certa vez o saudoso Ibsen Pinheiro.
Aceitaríamos de bom grado uma decisão embasada em números, particularidades e justificativas científicas. Não foi o que ocorreu.
Na cidade de Novo Hamburgo, o boletim de Atendimentos oficial apresentava ontem 507 pessoas recepcionadas, 338 pessoas em isolamento domiciliar, 5 internados e 26 casos até agora confirmados, com 2 óbitos.
A rede hospitalar municipal local possui 86 ventiladores, 391 leitos, com 49 leitos de UTI à disposição dos munícipes.
Na cidade de Campo Bom, o Hospital tem capacidade de 10 leitos de UTI, 14 respiradores e mais 5 que chegarão nos próximos dias. Até o momento, o município teve 4 casos confirmados, nenhuma internação, sendo o último caso confirmado na data de 02 de abril.
As cidades de Capela de Santana, Igrejinha, Araricá, Nova Santa Rita, Nova Hartz, Parobé, Portão, Triunfo e Riozinho, na Região Metropolitana, não registraram um só caso de Covid-19, mas estão impedidas de exercer suas atividades, mesmo com todo o rol de cuidados exigido pelo Decreto Estadual.
Este é o quadro pandêmico até agora registrado em nosso entorno. Não resta dúvida de que as medidas de restrição foram importantes neste processo coletivo, mas temos números que nos asseguram que estamos muito longe da propalada pandemia que a sociedade gaúcha imaginava e mesmo as autoridades sanitárias e do Executivo têm divulgado.
Ao mesmo tempo, a economia privada (assim como a pública) vem sofrendo uma dilapidação das reservas do fluxo de caixa, dos postos de emprego e de patrimônios construídos por décadas, com prejuízos incalculáveis, sob o ponto de vista humano e financeiro, que hoje alcança o esgotamento da reserva do caixa das empresas, de um corte profundo na cadeia entrelaçada por comércio, serviços e parques industriais e da consequente margem de endividamento, falta de horizontes e um abalo enorme da confiança do cidadão no setor público, por decisões incongruentes, descontinuadas e desiguais.
Na busca de uma solução que realmente mereça tal nome é impossível imaginar um quadro de pobreza e endividamento generalizado com saúde ao final deste processo. Nosso pedido aqui é o da reconsideração e da defesa de uma análise científica detida em cada situação municipal, perante cada quadro de melhora ou de piora. Adotar um só critério para municípios com situações (relativas a dita pandemia) tão díspares não é, absolutamente, uma solução técnica.
Apelamos para o seu bom senso e sua revisão dos critérios aplicados a nossa região num todo, com vista a sairmos desta terrível crise com o menor número de mortes, de impacto negativo na economia e de fechamento definitivo de postos de emprego e de empresas.
Que a solução encontrada seja a melhor para todos os seus concidadãos, e eleitores, gaúchos. ACI-NH/CB/EV

























