No lugar do verde das árvores, o marrom da terra e do barro. Esta impactante mudança de visual na Rua Maria Olinda Telles, no bairro Canudos, despertou a preocupação de uma leitora do blog Martin Behrend. Recebi o seguinte e-mail:
"Tirei algumas fotos do bairro Canudos, onde está ocorrendo um grave crime ambiental. Não é somente o corte de várias árvores, é também o fato de que o corte destas está ocorrendo onde há vertentes de água, o que pela Lei Ambiental Federal não pode ocorrer – corte de árvores próximo a estas vertentes. Uma pessoa me contou que será um loteamento."
Estive no local caminhando e fazendo fotos. A situação que mais chamou a atenção foi um córrego visivelmente poluído ao lado da área desmatada – e, se não desse para ver, bastava respirar para perceber um odor desagradável no ar. A imagem que se tem no local não deixa dúvidas: é um cano despejando esgoto livremente num córrego que, possivelmente, deverá desaguar no Rio dos Sinos. E como será quando outras centenas de pessoas passarem a habitar esta região? Preocupa, pois o quadro deve se agravar.
A boa notícia é que junto ao leito estavam plantadas dezenas de mudas de árvores, numa provável tentativa de compensar o prejuízo ambiental com o corte de outras dezenas de troncos em outras áreas.
Entrei em contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo para entender o que está ocorrendo no local. Obtive algumas respostas, mas outras ficaram em aberto. A seguir o esclarecimento:
"A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam) informa que a empresa possui as licenças de instalação. O licenciamento permite a construção de um loteamento unifamiliar, de ambos os lados. A licença em questão ressalta que deve ser cumprido o Alvará para Manejo de Vegetação, emitido pela própria Semam. Ficou autorizado o transplante de determinadas árvores, bem como a preservação de outras espécies. O alvará também pede a compensação de 24 mudas de Jerivás e 42 mudas de árvores nativas da região
dentro do próprio loteamento. O licenciamento e o alvará emitido pela Semam têm o intuito de impedir o dano ambiental."
Também fiz os seguintes questionamentos, mas as respostas não vieram por parte da Secretaria do Meio Ambiente: Com tanto verde sumindo, poderá ocorrer algum desequilíbrio ambiental naquela região? Foi calculado o impacto nas vertentes da região? Se hoje a poluição é visível, como será daqui pra frente? A área de preservação foi observada? O corte avançou dentro do previsto ou passou, diminuindo a área no entorno das vertentes?
Progresso é bom. Desenvolvimento é necessário. Habitação digna é direito de todos. Agora, o tempo vai dizer se essa devastação que ocorreu no local não será um tiro no pé da população. Do pouco que sobrou de verde no local, até mesmo protegendo o córrego, e pela poluição já existente no local, dá para se suspeitar que existe um risco de prejuízos ambientais importantes para o município – ou seja, para os hamburguenses.

























