Há uns dois ou três meses, quem demonstrasse preocupação com os reflexos da Copa do Mundo no Brasil logo era rotulado de oposição. Quem questionava os gastos absurdos e a paralisia geral do país era taxado de pessimista. Quem alertava para problemas na nossa economia era abafado com carimbo de “turma do contra”. Só que jornalismo não se faz só com paixão ou cegueira partidária.
Vou puxar a brasa pro meu assado. Publiquei este artigo no dia da final da Copa, em 13 de julho de 2014: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=102. Registrei:"
"Milhares de estabelecimentos no comércio e serviços apresentando enormes prejuízos no período da Copa. 30% de queda no Nordeste, 30% no Sudeste, 20% no Sul – números oficiais de entidades! A paralisia em função da Copa criou uma onda de prejuízos, principalmente, nos pequenos e médios estabelecimentos. A conta vai chegar."
Pois é, a conta chegou. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou ontem dados da economia brasileira no segundo trimestre de 2014. E andamos para trás de novo: queda de 0,6%. No primeiro trimestre já tínhamos recuado 0,2%. Com dois trimestres seguidos de resultado negativo, considera-se tecnicamente que o país está em recessão – fato não registrado desde 2008/2009.
Na sua explicação para os resultados pífios, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou as justificativas de uma maneira surpreendente: o crescimento foi afetado por causa da menor quantidade de dias úteis na primeira metade do ano, devido à realização da Copa do Mundo.
Ah? Como? Ouvi bem? O próprio Mantega tinha afirmado antes de a bola rolar que a Copa ajudaria a impulsionar os setores de comércio e serviços, e que o resultado do PIB no segundo
trimestre provavelmente seria melhor.
Jornalismo não se faz com militância política ou oba-oba. Que a Copa do Mundo foi uma baita experiência para o Brasil, disso não tenho dúvida. Mas estavam visíveis
os efeitos desastrosos da paralisia que envolveu o país por causa de um evento esportivo. Para minha consciência seguir tranquila, não fui oposição, pessimista ou “turma do contra”. Fui jornalista. A prova está aí. A conta chegou.

























