A Copa do Mundo de 2014 está muito legal!
Dentro de campo, muitos e belos gols; fora de campo, problemas suportáveis contornados pela animação dos brasileiros e boa vontade dos turistas – sedentos por festa. Mas a Copa está longe de ser a Copa das Copas – #CopaDasCopas – como alardeia a presidente, Dilma Rousseff, e o governo federal em alguns espaços. Mentem ou estão desinformados. Para minha surpresa
tem jornalistas de primeira viagem e outros experientes embarcando nesta. A nossa segunda Copa está bacana, alegre e com grandes jogos. E ponto. Não é preciso enganar ou iludir as pessoas. Aliás, o jornalismo tem disso: mostrar a realidade por trás de fatos nem sempre verossímeis.
A Copa está tendo um sucesso acima do esperado pela contribuição de grande parte da imprensa. Os alertas, reportagens, fiscalizações, orientações e o
que foi feito anteriormente serviu para ajudar no andamento da competição. Não fosse a imprensa ter denunciado, apurado e cobrado celeridade, muitas obras não teriam sido finalizadas. Não fossem formadores de opinião pedir para população esquecer os protestos e curtir a Copa, muito vandalismo estaria nas ruas. A imprensa soube dar o tom certo no momento adequado.
A imprensa errou? Sim. Eu errei? Sim. Imaginei um caos maior nos aeroportos. Mas eis mais um trabalho da imprensa: ao alertar para o pior antes do Mundial, muita gente evitou viajar e liberou aeroportos para os turistas. A imprensa orientou as pessoas e muita gente cancelou eventos, reuniões, congressos, palestras. Perfeito! Erros e acertos fazem parte e podem ser avaliados. Mas se alguém tem protagonismo para termos uma Copa ajustada é a imprensa, que soube se posicionar e externar a indignação do povo brasileiro antes da bola rolar.
Sobre a falaciosa #CopaDasCopas
– Não é a Copa com a maior média de gols – até agora é a sétima média da história.
– Não é a Copa com a maior média de público – até agora é terceira maior
da história.
– Foram oito operários mortos nas obras dos estádios – quatro vezes mais que na Copa da África do Sul! Oito mortes!
– Foi considerada a pior abertura de Copa do Mundo das últimas dez edições.
– O valor total dos estádios subiu dos 5,97 bilhões de reais para 8,48 bilhões de reais. Uma das Copas mais caras e descontroladas da história.
– Cidades fazem feriados e tem ponto facultativo nos dias de jogos. Tudo para aliviar os problemas. Isso não aconteceu em todas Copas. O prejuízo em alguns setores é grande.
– É a primeira Copa, após várias edições, sem a fala do presidente anfitrião.
– Nas Copas recentes não há registros de vandalismos e protestos tão agudos como os que ocorreram no Brasil nos primeiros dias, com grandes quebradeiras em algumas cidades.
– Na Copa da Alemanha os jornalistas credenciados circularam de trem na 1ª Classe por todo país sem pagar um centavo. Nem vou comparar.
– 50% das obras previstas para a Copa não foram concluídas.
– Era para ser a Copa do 4G – mas nem o 3G está funcionando direito, fiquei sem acesso a internet no Beira-Rio.
– Milhares de policiais foram recrutados para trabalhar full time. Beleza para a Copa. Agora, quem vai pagar esta conta? Os brasileiros, claro! Logo após a Copa os policiais entrarão em férias e a insegurança voltará às ruas.
– Está visível que quando a Copa acabar o legado terá sido pequeno em termos de obras e investimentos previstos. Não será a #CopaDasCopas. Será, isto sim, a #CopaDasContas – vamos pagar uma conta altíssima por uma Copa superfaturada, mal planejada e que deixou um rastro de obras a serem concluídas sabe-se se lá quando. A lembrar as Arenas que demandarão manutenção mensal ao custo de R$ 200 mil a R$ 300 mil.
Por fim, um esclarecimento. Estou torcendo pelo hexa! Uma semana antes de começar a Copa já estava com minha sacada com a camisa da seleção e bandeiras do Brasil. Também estou torcendo e vibrando com a Copa. Fui no Beira-Rio, fui na Fan Fest, hospedei torcedores da seleção do Irã em minha casa.
Sei separar esporte do jogo político. Quero o hexa! E quero mais respeito com o dinheiro público! Que seja a #NossaCopa. Já está mais do que bom. Está dentro da nossa realidade. Presidente, troque esta hashtag pelo bem da informação.
PS: Estou cobrindo
meu terceiro Mundial: Alemanha (2006), África do Sul (2010) e Brasil (2014)
























