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Bailes – Como eram e como ficaram

Pois então, na data e horário previsto, e com um charme de 30 minutos de atraso, a orquestra atacava de Canta Brasil ou a gloriosa Aquarela

03 de Maio, 2018 às 16:33

Registro de baile de antigamente, e os bailes (baladas) da modernidade. Fotos Divulgação

Jornal O 5 de abril, edição de 20 de setembro de 1957.


Anúncio na página social: "SGNH tem a satisfação de convidar seus associados e exmas. famílias para o Baile da Primavera que acontecerá na noite de 28 de setembro corrente em sua sede social. Abrilhantará a noitada a excelente orquestra de Cincinato e Zabalia. Início marcado para as 23 horas. Ingresso com carteira social e recibo 8, e as reservas de mesa devem ser feitas na Casa Nonô."


É, era assim, E então começavam os preparativos. Consistiam em vestidos novos, fatiotas de meia estação, porque já não estava aí o frio de inverno e o verão somente se apresentaria em dezembro, quando seria encomendada a fatiota de linho para o fim do ano, Natal e Réveillon. Durante a semana, corte de cabelo nos homens e salão de beleza para as mulheres, mesmo que no sábado as calçadas eram varridas com cabelos enrolados. Antes, ainda a preocupação com a reserva de mesa, pista ou lateral, isolada ou em grupo, companhia combinada ou a gente arriscava.


Pois então, na data e horário previsto, e com um charme de 30 minutos de atraso, a orquestra atacava de Canta Brasil ou a gloriosa Aquarela, dando início ao evento: confraternização dos casais assim ditos e oportunidade de novas relações entre os jovens ansiosos para que isto acontecesse.


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Agora saltemos quarenta anos mais ou menos. Não mudou quase nada, e mudou quase tudo. Hoje, os bailes são substituídos por jantares dançantes, os clubes por entidades benemerentes, quase igual. Mas agora a grande diferença: não existem mais as grandes orquestras, com seus instrumentos de sopro, saxofones, pistons, trombones, e o mais importante, a sua música romântica, seus boleros, seus sambões, seus chorinhos e suas valsas. Tudo isto num volume muidecente, educado e culturalmente maravilhoso de ser curtido. Ao inverso dos tempos atuais, onde o principal componente é o volume. Imaginem os mais jovens, podia-se até conversar com o pessoal da mesa vizinha.


Outra coisa que mudou foi a faixa etária dos frequentadores. Ela veio se reduzindo até uma insuportável faixa que tende mais para baile infantil. É menino e menina por todo lado, nos bailes de carnaval é preciso ter cuidado para não pisar em cima de uma criança.


Mas como nada é eterno, nestes novos tempos houve uma modificação de conduta social que chamaríamos de evolução e que tornava os costumes dos nossos antigos bailes um evento quase jurássico: o horário do início. Antigamente, o charme estava em chegar o mais atrasado possível em relação ao início. Progredimos, e temos então a grande mudança,


Com a chegada das grandes danceterias, as grandes boates, e as discotecas - estas em todo mundo -, parece que há um consenso universal: adulto, adulto mesmo, não entra. É o reino da juventude, com definitiva presença da adolescência. E há então uma divisão: a criançada não vem aos salões clássicos com suas músicas românticas e os adultos não vão a discoteca com sua zoeira infernal.


Até onde isto for possível.

Autor

Claudio Behrend

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