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Especializações

Especialistas em tudo, cozinha alemã, cozinha italiana, frutos do mar, além dos eletrônicos, hidráulicos, enfim, nada é comum, é tudo com especializações

02 de Março, 2018 às 20:04

Muitas pessoas ainda lembram daquela chamada na televisão em que o mecânico informava desolado para a motorista do veículo que o problema do seu carro era a “rebimboca da parafuseta”, e que o caso era de difícil conserto.


Pois é, mas é que o espírito da propaganda era um alerta para o perigo das inúmeras “especializadas”, que assim se alardeavam com relação a todos os tipos de automóveis a saber Ford, GM, FIAT , Volks e tantas outras marcas que hoje são encontradas no Brasil.


Especialistas em tudo, cozinha alemã, cozinha italiana, frutos do mar, comida campeira, além dos eletrônicos, hidráulicos, enfim, nada é comum, é tudo com especializações. Mas estas classificações de “doutor”, “professor” e outras tantas “excelências” será que criam algum problema de ordem legal, ética ou moral? Claro que não, então a denominação de especialização é uma coisa rotineira e totalmente sem consistência, nada a se preocupar, é tudo Brasil!


Na farmácia todos os funcionários que estão atrás do balcão são farmacêuticos – pois eles trabalham ali. Mas é que atrás do balcão está também o Farmacêutico, com F maiúsculo, o profissional liberal com curso superior. Mas como ele também trabalha na farmácia, ele também é o “farmacêutico” igual a todos os outros funcionários. Como todos estão atrás do balcão são todos também considerados “especialistas”.


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Historinha real e divertida. Amigo médico em cidadezinha do interior recebe a visita de uma parente da Alemanha, que em dias tantos percebe uma pane no motor do seu carro e pergunta o primo sobre um bom mecânico. Este é indicado, a visita é feita, o motor arrumado, o senhor foi muito gentil, um ótimo técnico, obrigado, felicidades, adeus.


Dois anos depois, a parente novamente por aqui e desta vez indaga ao primo médico onde poderia tomar uma injeção que por alguma razão deveria ser aplicada em algum hospital, talvez quem sabe um ambulatório – ela era alemã, lembram? – e a indicação que recebe era para dirigir-se a uma farmácia aberta recentemente, fica em tal endereço, é fácil.


Apresentou-se o “farmacêutico” e ela quase desmaiou de susto: era o mesmo mecânico que tão gentilmente cheio de graxa e limpando a mão com estopa, a havia atendido dois anos antes. Recuou apavorada, voltou ao primo médico e ouviu a tranquila e divertida explicação: usando a expressão dos camelôs, isto aqui é Brasil, não se requer prática nem habilidade. São todos especializados.

Autor

Claudio Behrend

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