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Arautos do Caos

A televisão não chega até aqui, não assistimos ao Jornal Nacional, portanto, não ouvimos notícias ruins

28 de Janeiro, 2018 às 19:34

Li como história contada que destacada autoridade política visitava um lugarejo enfiado num destes bretões brasileiros, ficando surpreendido pelo otimismo da população, sua alegria, disposição para o trabalho que se traduzia no tranquilo progresso do lugarejo. Explicação dos simplórios dirigentes locais: “É que a televisão não chega até aqui, não assistimos ao Jornal Nacional, portanto, não ouvimos notícias ruins.”


Ocupando alguns cargos diretivos aprendi que determinadas situações não podem ser extravasadas para que não se alterem os resultados pretendidos. Mais ou menos, que os fins justificam os meios.


E tendo este enfoque no dia a dia é que não me conformo com os Arautos do Caos. Uma espécie de gente que atua profissionalmente na mídia nacional se advogando o prazer – alegam que é consciente – de estar permanentemente alertando para o pior e criticando sistematicamente o sistema e suas propostas. São os economistas de boca de microfone.


Logo em seguida vem os pseudo-tributaristas . Estes estão sempre de plantão para comentar e, principalmente, criticar qualquer ato governamental – qualquer nível de governo, basta ser governo. Não interessa saber o que pode melhorar, o importante é procurar o furo para avacalhar, chame-se este governante presidente Temer, governador Sartori, prefeita Fátima ou meu parceiro de tênis, o gramadense Fedoca.


Agora, esta gente integra uma mídia injusta e de mau caráter, porque a memória do povo que os lê ou escuta é muito curta e a notícia fresca de hoje já é fato passado amanhã.


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Mas esta situação ocorre em qualquer outro setor da sociedade, no futebol, numa grande empresa, numa escola, num clube social. Existem sempre os especialistas de plantão que “sabem de fonte segura” tal e tal coisa, que isto e aquilo não vai dar certo e que o caos é iminente.


De minha parte sempre fui e continuarei sendo um otimista. Sei que está fora de moda mas continuarei a dar crédito às pessoas até prova em contrário.


Temos um conterrâneo, aninhado entre as palmeiras nordestinas, copo de uísque com água de coco na mão, festejado e condecorado pela casta com que conviveu por aqui nestes últimos anos, inteligente e espirituoso, migrante político da direita confortável para a esquerda charmosa - que me alerta no meu otimismo dizendo que ser otimista neste país é ser desinformado. Até pode ser, mas se ser desinformado é conviver com a iminência do horror, curtindo a notícia do desastre, vou continuar a cultivar o meu otimismo, acreditando antes de mais nada na honestidade da boa intenção.


Siga o felizardo conterrâneo – agora neo-nordestino –- curtindo seu uísque com água de coco que eu sigo daqui, gaúcho orgulhoso, mas que continua acreditando teimosamente –- entre um chimarrão e um bom churrasco de picanha macia buscada ali no Chirú.

Autor

Claudio Behrend

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