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Sonhos de verão

​As noites de verão são sempre um convite para tudo, até para ir dormir, principalmente se for de janelas abertas

09 de Janeiro, 2018 às 15:07

As noites de verão são sempre um convite para tudo, até para ir dormir, principalmente se for de janelas abertas, ouvindo o ruído das ondas do mar e sentindo o frescor da brisa marinha.


Corpo cansado, deitado na cama cheirosa e confortável, relaxando músculo por músculo. Do lado de fora escuto um som, não tao longínquo, de um sambinha leve e suave, como deve ser, e me deixo embalar. Em seguida, músicas gaúchas, ate chegar o “Querência amada ...” e aí saio do meu conforto: a melodia me chama.


Deixo ali o meu corpo, e me junto à animada turma de jovens, por entre as árvores do gramado de Capão da Canoa, na frente das dunas do mar. A juventude é muito linda, a alegria é imensa só por ali estar. O violeiro é um jovem escultural, olhos negros e profundos. E ele só tem olhos para uma lourinha de longos cabelos semi encaracolados, e olhos de esmeralda.


A paixão e o desejo dos dois vai crescendo com o passar das horas, e eu no meio da cruzada dos olhos sinto toda aquela energia, como se fosse um fio-terra.


Deslizo pela grama, e me sinto igualmente muito amada, pelo universo, por poder estar ali, bailando sem culpa, livre, e com a certeza de que já vivi aquele momento muitos anos antes.


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Minhas rendas, minhas franjas voavam ao vento, e todos pouco a pouco foram se emparceirando. A serenata sai do gramado e vai para a areia da praia, geladinha de madrugada. Melhor ainda para dançar à luz do luar, e poder brincar com as sombras, próprias e dos outros.


O violeiro toca para todos, e principalmente para sua amada. Os dedos prendendo as cordas para ajustar as posições dos acordes, de uma maneira tão elegante e suave, como plumas. E a mão direita dedilhando as cordas, mais parecia estar acariciando a sua lourinha. O desejo no ar era imenso, e só se comparava com o fio de luz vermelho e meio assustador, que começava a se desenhar na linha do horizonte, no mar.


Hora de voltar para casa, voltei para meu corpo, deitado tranquilo na cama cheirosa, com um sorriso nos lábios, segurando a mão do meu marido. Os dedos da mão esquerda dele, que eu segurava, se mexiam fazendo as posições dos acordes do violão ...

Autor

Edela Land

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