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Vereadores preparam para 2018 velha e condenável prática da política

Muitos vereadores vão se lançar candidatos a deputado estadual e deputado federal na eleição de outubro de 2018

05 de Dezembro, 2017 às 11:06

Prática dos vereadores desvaloriza e desmerece voto do eleitor na urna eletrônica. Divulgação

O ano de 2018 reserva eleição no Brasil no mês de outubro. A população vai eleger presidente e vice-presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Serão seis indicações por eleitor. E entre tantos candidatos, lá estarão vários vereadores de dezenas de municípios brasileiros colocando em campo uma velha e condenável prática da política: vão se aproveitar do mandato público como vereador para se promover e, se eleitos, abandonarem o cargo para o qual foram indicados.


É impressionante como os primeiros a desqualificar e desvalorizar a classe política são os próprios políticos. Esse processo começa nas Câmaras de Vereadores. Ao invés de honrarem seus mandatos, os vereadores usam a vitrine como trampolim para buscarem novos cargos na política. E como ficam os eleitores que confiaram o voto nestes vereadores, caso eles conquistem um novo cargo? Dane-se, não é mesmo.


Afinal, se um vereador vira deputado estadual, por exemplo, ele vai priorizar demandas estaduais, e não mais as coisas do município. E no lugar do vereador vai assumir um suplente, com menos votação, menor expressão e uma visão política e ideológica que pode ser bem diferente do atual ocupante do cargo.


É proibido vereador se candidatar a outro cargo? Não! É ilegal vereador se candidatar a outro cargo? Não! Mas este artigo não trata de ilegalidade. Trata de moralidade, responsabilidade, compromisso, respeito ao eleitor, valorização da política. Se o cidadão foi eleito vereador por sua comunidade, ora, que se cumpra o mandato e depois pense em outros cargos políticos. Até porque, ele estará usando um espaço público - a Câmara de Vereadores - como plataforma para aparecer e divulgar seu trabalho.


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Esse assunto deveria ser de responsabilidade dos partidos. As siglas é que deveriam indicar novos nomes, mantendo os vereadores e buscando espaços para outros filiados. Mas o que esperar de partidos no Brasil? São mais de 30, que mudam de nomes para tentar esconder podridões e conchavos do passado.


Abandonar o mandato na metade, traindo a confiança dos eleitores, é apenas mais uma velha e condenável prática da política. Alguns nomes mudam, mas as práticas seguem as mesmas, desvalorizando a política, traindo o eleitor, diminuindo a força do voto. Ah, mas na campanha todos prometem lutar pela sua comunidade e por cada voto recebido!


PS: Essa mesma prática é seguida por deputados estaduais e deputados federais, que são eleitos pela comunidade, mas acabam assumindo outros cargos. Vide os casos recentes de Giovani Feltes (PMDB) e Lucas Redecker (PSDB), que foram eleitos deputados, mas assumiram secretarias no governo de José Ivo Sartori (PMDB). Nos seus lugares, assumiram suplentes de outras regiões e perfis.

Autor

Martin Behrend

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