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Homenagem histórica na advocacia: a primeira mulher a ganhar Medalha Rui Barbosa é gaúcha

Ex-presidente da OAB/RS receberá a premiação durante a XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira

26 de Novembro, 2017 às 19:53

A conselheira federal e ex-presidente da OAB/RS, Cléa Carpi. OAB/RS-Divulgação

A conselheira federal e ex-presidente da OAB/RS, Cléa Carpi, será agraciada com a Medalha Rui Barbosa, a mais alta comenda da advocacia brasileira. A advogada gaúcha é a primeira mulher homenageada com a Medalha em 86 anos. Ela receberá a premiação na quinta-feira (30), durante XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, que ocorre entre os dias 27 e 30 de novembro, no Centro de Eventos Anhembi em São Paulo.


O presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, ressalta este momento histórico. "Muito nos orgulha que a primeira mulher a receber esta homenagem seja Cléa Carpi da Rocha, que atua há mais de 30 anos na área do Direito. Desde a sua juventude, na sua caminhada para um mundo justo e fraterno. Foi a primeira mulher a assumir a presidência da OAB/Rio Grande do Sul e, por dois mandatos, atuou como conselheira federal, representando o nosso Estado", registrou.


Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB, classificou como justíssima a homenagem. “Cléa é uma advogada com a experiência de ter presidido uma seccional, decana do Conselho Pleno, ex-secretária-geral desta OAB no âmbito nacional. É dona de uma trajetória de imensurável colaboração com o avanço da advocacia, da justiça e do Estado Democrático de Direito. Prova disso, foi o apoio efusivo ao seu nome pela diretoria, pelo Colégio de Presidentes, pelas comissões, por todos”, apontou.


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A indicação chegou ao Plenário com o apoio do Colégio de Presidentes e da Comissão Nacional da Mulher Advogada. Clea agradece a todos: “Agradeço à diretoria, às conselheiras, aos conselheiros, aos presidentes de seccionais na pessoa de Fernanda Marinela; às 27 presidentes das Comissões da Mulher Advogada. A vida é feita de escolhas, sempre. Mas a importância das escolhas está na fidelidade. Eu tenho como uma das fidelidades de minha alma a OAB, pela grandeza da defesa que faz da democracia, da cidadania e das liberdades. Essa dimensão humana, que o advogado tem quando defende a liberdade me fascina e me apaixona”, apontou.


SOBRE CLÉA CARPI


Foi a primeira mulher a assumir a presidência da OAB/Rio Grande do Sul em 1989. A ex-presidente da Ordem gaúcha já foi agraciada com o Prêmio Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal, e integra a Associação Americana de Juristas (AAJ) e a Associação Internacional dos Juristas Democráticos (AIJD). Já participou de sessões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em que foram debatidas as "piores" formas de trabalho infantil. Integrou, ainda, a delegação oficial brasileira na Conferência do Cairo sobre População e Desenvolvimento, em 2004.


Cléa Carpi vem atuando como expositora em congressos e seminários nacionais e internacionais. Participou como observadora de conferências da Organização das Nações Unidas (ONU) em Beijing, Istambul e Cairo. Especializada em direitos humanos, atuou também na luta pelo Estado Democrático de Direito e no processo de redemocratização do Brasil nos movimentos Diretas Já e pela anistia.


A MEDALHA


Em julho de 1957, o então presidente nacional da OAB, Nehemias Gueiros, apresentou uma indicação ao Conselho Federal para a instituição do Prêmio Medalha Rui Barbosa, com o intuito de homenagear advogados que prestaram serviços notáveis ao Direito e à advocacia.


Aprovado por unanimidade, uma comissão foi designada como responsável por elaborar o regulamento do prêmio. A comissão era composta pelos conselheiros José Maria Mac-Dowell da Costa, Oswaldo Murgel de Rezende, Mayr Cerqueira e Themístocles Ferreira. Devido a divergências quanto às normas, o prêmio foi impugnado pelo Conselho quatro anos depois.


Somente na sessão plenária de 26 de maio de 1970, o prêmio foi restaurado e efetivamente regulamentado, por indicação do conselheiro Carlos de Araújo Lima. Segundo o relator do processo, conselheiro Ivan Paixão França, o restabelecimento da medalha visava a dar o efetivo cumprimento ao artigo 18, inciso IV, do Estatuto. O primeiro agraciado foi o advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto, em 5 de novembro de 1971, data do seu aniversário e do aniversário de Rui Barbosa. Sobral foi o escolhido entre os indicados Levi Carneiro e Haroldo Valladão.

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