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Uma família pelada, com as partes bem visíveis: arte em frente à Prefeitura de Wittenberg

Monumento em frente à prefeitura de cidade alemã reúne um casal e uma criança nus

01 de Novembro, 2017 às 17:09

Monumento posicionado bem em frente à Prefeitura de Wittenberg

Imaginem a seguinte situação: Novo Hamburgo, São Leopoldo ou Campo Bom vão inaugurar a nova sede da Prefeitura. Para ornamentar o jardim em frente, decidem colocar um monumento. Ele consiste em três pessoas nuas: um homem e uma mulher – um casal – segurando nos braços uma criança. O homem com o pênis bem visível e a mulher com seios e os pelos pubianos em relevo e destacados. Ficou chocado? Sim? Não? Talvez?


Esta escultura descrita no parágrafo acima é realidade, é uma obra de arte. E ela está posicionada a poucos metros da nova Prefeitura de Wittenberg, a cidade onde Martin Lutero divulgou as 95 Teses da Reforma – há 500 anos e um dia (31 de outubro de 1517). A antiga Prefeitura ficou pequena e serve como cartão-postal no Marktplatz, junto com as estátuas de Lutero e seu amigo Philipp Melanchthon. Na frente da atual sede do Executivo local – instalada num prédio recuperado de 1883 –, então, pode ser encontrada esta família pelada.


A questão cultural é fundamental para entender essa realidade. Crianças circulam pelo local tranquilamente. Famílias, igualmente. Servidores estacionam seus veículos ao lado do monumento. E vida que segue.


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Provavelmente, esta obra foi patrocinada com recurso público – salvo se houve uma doação. E as pessoas respeitam a expressão artística. Ninguém reclama ou protesta, afirmando que o monumento é homofóbico ou ofensivo contra gays e lésbicas. Nem mesmo consideram um estímulo ao nudismo. É arte. É expressão artística.


Ali está uma família feliz, como veio ao mundo. E foram interpretadas por algum artista. Conversei com dois funcionários da Prefeitura e pesquisei sobre o assunto. Não há registros de polêmica ou ataques contra esta obra de arte.


Faço esse registro pois estamos vivendo no Brasil um severo ataque à liberdade de imprensa, à liberdade de expressão e às artes – tanto de gente da “direita” como da “esquerda”. Claro que tudo tem limite – e tivemos algumas aberrações recentes no Brasil que devem ser condenadas. Mas, alto lá: não dá para tolerar nem generalizar. O mundo precisa de arte e dos artistas.

Autor

Martin Behrend

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