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Os homens e as mulheres de Kim

Quando vejo as marchas dos norte-coreanos, eu só consigo ver a simetria, a disciplina e o vigor que querem transmitir

14 de Setembro, 2017 às 17:33

Exército da Coréia do Norte marchando. Divulgação

Não sei como no Brasil estão sendo veiculadas as notícias da Coréia do Norte, mas na Itália aparecem vários vídeos nos principais jornais televisivos, e é neles que me baseio para escrever esta coluna.


Quando vejo as marchas dos norte-coreanos, eu só consigo ver a simetria, a disciplina e o vigor que querem transmitir. Eles jogam aquelas pernas com tanta força naquela marcha, que até as coxas – nada desenvolvidas no biotipo amarelo – parecem ser todas pertencentes a tropas alemãs ou russas. Provavelmente tiveram de tomar anabolizantes para chegar naquilo. O importante não é como, mas sim chegar no objetivo para impressionar o Ocidente.


Não consigo ver as pessoas, mas elas ali também não têm importância nenhuma mesmo. São seres amestrados, como que narcotizados pela loucura de um líder e de seus comparsas. As soldadas norte-coreanas são todas no mesmo estilo dos homens. Seria lindo de ver a coreografia, se fosse um espetáculo que o país estivesse oferecendo para a humanidade.


Até a mocinha do jornal na TV, que anuncia o sucesso do lançamento de mais um míssil, parece uma borboleta cor de rosa em frenesi. Com perdão da comparação chula, mas mais parece estar sentindo um charuto, à la Lewinski, do que qualquer outra coisa, para poder anunciar aquela notícia daquela maneira! Quase dando pulinhos na sua cadeira, diante das câmeras.


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Tudo, tudo mesmo, é programado para irradiar competência, força, nacionalismo, determinação, orgulho e alegria pelos sucessos! Como conseguem, em pleno século 21, abobalhar tantas pessoas e ter a sua fidelidade?


Sempre lembro de um livro que li, “Mulheres Chinesas”, onde uma mulher foi fazer um depoimento espontâneo ao autor na promessa de jamais ser citada pelo nome. Quando jovem, era uma fervorosa militante a favor do Grande Partido de Mao, e se alistou em favor do mesmo. Estava disposta a virar o mundo, se preciso fosse, tão convencida estava pelo grande líder.


Pois um dia foi chamada, e lhe foi dito que era chegada a sua vez de ajudar o partido. Ela se apresentou orgulhosa, feliz, como boa soldada e jurou obediência eterna, houvesse o que houvesse. Então, foi levada para os aposentos de um general, que passaria a ser o seu marido, e que ela deveria apenas viver para manter o general satisfeito, calmo e operante! Ela teve um filho e todo o possível de conforto. Mas ela estava morta por dentro. Servir um homem, essa foi a missão dela!


E aqueles norte-coreanos e norte-coreanas? Só consigo mesmo ver as manobras, porque não tenho coragem de olhar os rostos. E crescem cada dia mais os boatos de que a Coréia do Norte seria a base bélica da China para combater o Ocidente! Não quero acreditar.

Autor

Edela Land

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