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1 CENTAVO

O produto é anunciado espertamente com R$ 0,99 centavos, mas não existe 1 centavo para dar de troco

28 de Agosto, 2017 às 09:08

Minha primeira visita à Europa foi em julho de 1994, primeiro mês da implantação do Real, nossa nova moeda, nossa nova esperança. Vínhamos de um período de complicado ajuste monetário, desconfiado processo de frenagem de uma hiper-inflação que há anos vinha entortando o valor do nosso dinheiro.


No descrédito do nosso cruzeiro, os centavos eram pura retórica monetária. As moedas correspondentes, então, estavam quase totalmente fora de circulação. Para estas moedas ninguém dava bola e o centavo não valia nada.


Passando alguns dias com meu filho Tomás na Alemanha, eu, deslumbrado, ia seguidamente ao supermercado. Numa das passagens pelo caixa fiz uma compra de DM$ 4,99 paguei com uma moeda de DM$ 5,00, virando as costas para sair e desprezando aquele miserável centavo de troco. Não cheguei a dar quatro passos e a rotunda caixeira, que já nos sabia brasileiro, trovejou, alertando para que pegássemos aquele “pfenning”, que se no Brasil não valia nada, na Alemanha aquilo era dinheiro e tinha valor como qualquer outra quantia.


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Desde então, o centavo e as suas moedas múltiplas passaram a ter novamente valor aqui no Brasil. Ou quase. E sabem por que quase? Porque há um deboche, um ranço de cultura inflacionária em grande parte do comércio pelo descrédito da moeda de 1 centavo.


O produto é anunciado espertamente com R$ 0,99 centavos mas não existe 1 centavo para dar de troco, o cliente não reclama e então fica por isto mesmo. Enfim, isto é Brasil.


Sei não, mas acho que deveria haver mais respeito pelo 1 centavo – e por extensão e decorrência, pelo próprio cliente. Mas é que isto não é esperteza, não, é incultura mesmo.

Autor

Claudio Behrend

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