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A educação agredida e o respeito falido

É triste ver que este caso específico acabe sinalizando a falência dos dois papéis educacionais mais sagrados no âmbito do ensino: o professor e o aluno.

22 de Agosto, 2017 às 09:43

A professora Márcia Friggi foi agredida por estudante dentro da escola. Divulgação

O que vemos a seguir ilustra a decadência da educação brasileira: durante uma atividade escolar a professora Márcia Friggi pede a um de seus alunos para tirar o livro do colo e colocar sobre a mesa de estudo. Ele, um rapaz de 15 anos de idade, nega-se. A professora insiste e ao ser retrucada com um palavrão, pede para o aluno se retirar. Na apuração do incidente, junto à coordenação, o aluno se irrita e golpeia a professora a ponto de deixá-la com o rosto sangrando. Uma atitude mais própria de um bandido do que de um estudante.


O ambiente da escola sempre esteve presente no meu cotidiano, muito em função da profissão de minha própria mãe e de minha tia, ambas professoras primárias com uma longa e bem sucedida carreira no magistério. E é triste ver que este caso específico acabe sinalizando a falência dos dois papéis educacionais mais sagrados no âmbito do ensino: o professor e o aluno.


Posso parecer um velho falando, mas “no meu tempo”, agredir um professor era algo inconcebível até mesmo pelos estudantes mais indisciplinados. Mas, atualmente, a natural impulsão que alguns adolescentes sentem em afrontar figuras que representem alguma autoridade possui um certo consentimento social. É como se um menino que protestasse contra seu educador fosse um revoluncionário primitivo a ser admirado por sua audácia.


A decadência do papel do professor também explica a catástrofe educacional do país. A própria docente Márcia que foi agredida, em seu perfil nas redes sociais, costumava interagir sobre a grafia de palavras de baixo calão com seus alunos, fazia colocações bastante provocativas mandando pessoas que não fossem da área educacional “calarem a boca” e até mesmo enaltecia agressões físicas recentes feitas a determinados políticos.


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Como pode um professor, em um canal de comunicação visto por seus alunos e por seus colegas, celebrar agressões físicas a quem quer que seja? Não estou justificando a agressão feita pelo estudante, mas um professor jamais deveria celebrar qualquer tipo de ato violento pois o ato pode se voltar contra ele mesmo.


Acabamos vendo uma combinação triste: alunos sem educação de casa que não valorizam seus mestres e acabam sendo glorificados ao confrontar qualquer tipo de autoridade; docentes que não preservam sua imagem de mestres e agem como militantes alimentando os corvos revolucionários que acabam por bicar seus próprios olhos. O caso da professora agredida é a imagem da educação brasileira.


Veja abaixo manifestações da professora nas redes sociais, onde a violência é celebrada por ela.

Autor

Rodrigo de Bem Nunes

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