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Nossa amoreira

Decidimos tirar nosso pé de amoras do seu condicionamento, e o transferimos para um vaso enorme, para que vivesse a plenitude da liberdade de sua espécie.

17 de Agosto, 2017 às 17:38

Amoreira localizada no apartamento em Soave, na Itália

Quando nos mudamos para a cidadezinha de Soave, na Itália, ficou no terraço um pequeno pé de amoras. A antiga proprietária me avisou que eu devia sempre cortar os galhos para que não crescesse muito e também nunca trocar por vaso maior. Ela estava criando esse pé num estilo meio bonsai. Mesmo assim, condicionado, nos dava mini amoras, dolcissimas, para deleite nosso e da passarada.


Como não gostamos muito desse sistema condicionado de criação de plantas, não cortávamos mais os galhos, mas, por outro lado, também não trocamos o vaso. No inverno, parecia um conjunto de galhos secos e mortos. Mas na primavera se revestia de folhinhas lindas, brilhantemente verdes.


Há mais ou menos dois meses, reavivando o nosso terraço, decidimos tirar nosso pé de amoras do seu condicionamento, e o transferimos para um vaso enorme, para que vivesse a plenitude da liberdade de sua espécie. Ele simplesmente explodiu, mais que dobrou de tamanho.


Mas num crescimento muito desordenado, surpreendente. Alguns galhos ficaram enormes, outros não, algumas folhas ficaram grandes, quase mudando o formato. Perdeu a forma. Invadiu o espaço das outras plantas, com a menor cerimônia, e com muita falta de respeito. Plantas estas suas conhecidas e vizinhas por tantos anos.


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As folhinhas do meio, amarelaram, tipo: “se fôr para ser assim, prefiro morrer!” Não se adaptaram às novidades, aos novos tempos de liberdade. Estavam acostumadas ao tram-tram do condicionamento, e queriam continuar assim.


Estou pensando seriamente em cortar alguns galhos maiores, para informar a planta de que ela é um arbusto, e não um coqueiro. Parece que não sabe lidar com sua liberdade repentina, não lhe foram ensinadas as suas regras, e não tem iguais que a circundem para tomar como exemplo. Só plantas de outras espécies.


De qualquer maneira, ele deve aprender que um arbusto tem de ficar mais repolhudo, sem galhos estapafurdiamente crescidos em relação aos outros. A formosura e o bom viver, quase sempre, só se consegue na convivência harmoniosa do seu próprio conjunto, e depois com as outras espécies.


Querido pé de amoras, estamos de olho em você, porque lhe temos muito amor e carinho, e nos sentimos responsáveis por ter lhe brindado a liberdade de ser!

Autor

Edela Land

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