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Quem é o médico da sua família?

O perfil profissional e físico não variava, buscava-se apenas uma ponta de simpatia por este ou aquele nome.

08 de Agosto, 2017 às 15:34

O médico é o penúltimo estágio antes da informatização total. Divulgação

Nos dias atuais, resposta difícil. Quem faz hoje o papel daquele profissional que atendia a gravidez da futura mãe, fazia o parto, passava a dar atenção ao nenê, acalmava o pai aflito e xingava a sogra metida? Era o mesmo cara que atenuava o reumatismo da vovó, dava um xarope para o pigarro do vovô, operava a apendicite do tio e engessava o braço quebrado do primo.


O perfil profissional e físico não variava, buscava-se apenas uma ponta de simpatia por este ou aquele nome. Que podia ser Schinke, Schmitz, Metzler, Eugênio, Casemiro ou Leo, não importava. O que importava era que a saúde da nossa família estava sob o manto protetor de um anjo da guarda. Que tinha nome e era sempre o mesmo. Veja-se o meu caso.


Minha família, núcleo básico composto de pai, mãe, quatro filhos e outros componentes naturais, já passou por um tal número de médicos que será curioso e divertido enumerar-lhes as especialidades, a saber: clínico geral, ginecologista, obstetra, pediatra, anestesista, ortopedista, otorrinolaringologista (poxa!), oftalmologista, traumatologista, endocrinologista, urologista, nefrologista, proctologista, neurologista, psicanalista, radiologista, dermatologista, angiologista, cardiologista, cirurgião geral, e vem vindo aí o geriatra, entre os que me ocorrem. E que fique aqui bem claro que sempre fomos atenciosamente, exemplarmente, maravilhosamente bem atendidos por todos e pretendemos continuar seus clientes sempre que necessitarmos sua atenção, seus serviços. Infelizmente, porém, não é mais possível responder a pergunta do título. Porque na medicina moderna, todos são um!


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Na verdade, romantismo a parte, a evolução dos fatores econômicos trouxe a “socialização” e consequente mercantilização do atendimento médico. Teoricamente é um atendimento em massa, atendimento feito por profissionais com vários empregos, mudam os plantões, o médico que atendeu a tosse de ontem não é o mesmo que vai avaliar a febre de hoje. Resta então uma ficha e uma história contada.


Em todo caso, são o alívio, o consolo, a esperança. É o penúltimo estágio antes da cibernética, do cartão magnético, do futuro da medicina totalmente informatizada, quando junto a um corpo seguirá um cartão e o atendimento e diagnóstico será feito por um computador que receitará e possivelmente até irá curar aquele organismo.


Em todo caso, está cada vez mais difícil responder quem é o médico da sua família.

Autor

Claudio Behrend

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