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A costureira

Um trabalho difícil de conseguir é o de reparos de roupas, como refazer costuras, bainhas, encurtar roupas e assim por diante.

30 de Junho, 2017 às 18:14

Ser uma península como a Itália, no meio do Mar Mediterrâneo, significa ser o sonho de destino de muitos imigrantes cujos países são também banhados por esse mesmo mar, mas cuja condição de vida é péssima. Deem-se o tempo de ver um mapa e situar a problemática geograficamente.


Só no mês de junho de 2017 já aportaram 9.000 pessoas, vindas 90% da África, como verdadeiros náufragos. Homens, mulheres, crianças acompanhadas e também sozinhas. Tem o horror no olhar, esticam os bracinhos para a marinha italiana, enquanto atropelados pelos maiores. Chegar vivos na Itália é uma vitória. Porque já passaram pelos campos de concentração dos imigrantes nos países de origem, à mercê dos bandidos desse tráfico. Já passaram por um mar que não perdoa e que costuma engolir muitas pessoas, e ali ficam sepultadas para sempre.


A Itália, onde está a sede maior do Cristianismo, não pode e não quer rejeitar essas vidas, porque ficar indiferente seria condená-los à morte, como fez Pôncio Pilatos. Os descendentes do Império Romano não querem repetir essa história. Mas outros países da Comunidade Europeia que não são penínsulas Mediterrâneo adentro viram a cara, se recusam a ver e a assumir a verdade de frente. Não é com eles. Querem crer que não é.


E assim, a Itália é um mix de pessoas de todas as nacionalidades. Além dessa imigração fora do controle que acontece há uns quatro anos, sempre houve uma imigração acentuada para Itália, mas de forma controlada, normal. Não é anormal ir ao supermercado e ver pouquíssimas pessoas falando italiano. Muitos indianos vestindo as suas roupas coloridas. Africanos tão negros que o branco dos olhos é um destaque fora do usual. Além de romenos, albaneses e de tantas outras nacionalidades.


A nossa medica é da Síria, laureada em Padova. A atendente do bar que costumamos ir é brasileira. O pedreiro que costumamos chamar para qualquer eventualidade é do Cazaquistão. Amigos que fizemos no supermercado, ele da Sibéria e ela do Uzbequistão. Filhos nascidos alemães.


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Mas um trabalho que é difícil de conseguir é de reparos de roupas, como refazer costuras, bainhas, encurtar roupas e assim por diante. E assim fico sabendo que abriu uma sartoria (oficina de costuras) na cidade. Vou até lá e para surpresa total são duas chinesas que não falam italiano, nem inglês, só mandarim! Como explicar o que quero? Mimica! “Mei uan ti” (sem problemas) “chei chei” (obrigada) é o que lembro de mandarim ... Preço? Escrevo num papel: euros? E ela escreve 20,00. Pega um calendário, me indica o dia, e escreve 15 e mostra o relógio. Significa estará pronto naquele dia e hora.


Para fazer ela entender que preciso decotar mais uma blusa, peguei a tesoura, e disse: tique-tique-tique, e fui mostrando onde cortar. Uma alça, peguei o metro, e mostrei o que é uma alça, e quanto seria o comprimento. Enfim, um exercício de quem tem muita vontade de trabalhar e de quem muito precisa do trabalho.


Não fui buscar ainda o trabalho. Vamos ver no que dá. Mas que saudade da dona Nair Elias e da Elisete da Besser, no Brasil!

Autor

Edela Land

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