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Mataram o atropelado. E ficou por isso mesmo...

Triste episódio em Novo Hamburgo confirma: nada substitui o bom Jornalismo e o bom jornalista

23 de Junho, 2017 às 13:29

Duas mensagens que recebi em redes sociais: uma em aberto e outra reservada

Novo Hamburgo viveu uma quinta-feira tensa. O mais recente capítulo de conflitos entre motoristas de táxi e de Uber deixou um taxista gravemente ferido, prejuízos materiais e muita confusão. Conforme nota divulgada hoje pela manhã pela Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), "o estado de saúde do paciente Maicon Rodrigo Cantinho é grave e ele permanece recebendo tratamento intensivo.”


Maicon está vivo. E luta para se manter vivo. Mas ontem vários hamburguenses mataram o taxista. Não foi uma, duas ou três pessoas. Vários escreveram em redes sociais que a vítima do atropelamento havia morrido. Um dos líderes dos taxistas disparou mensagem pelo WhatsApp anunciando a morte do colega. Por quê? Qual a finalidade? Qual o objetivo de anunciar uma morte que não ocorreu? A resposta é: as pessoas não têm responsabilidade. As pessoas não estão preparadas para lidar com informação. No mundo da instantaneidade, esquecem dos familiares, amigos, conhecidos. Anunciam a morte e ignoram o quanto uma notícia impacta na vida de uma pessoa que recebe este conteúdo. Ignoram a força da comunicação.


Nada substitui o bom Jornalismo e o bom jornalista. Que investiga, pergunta, checa, verifica, reflete. Que passa cinco anos numa faculdade de Jornalismo recebendo conhecimentos, lendo, discutindo, treinando, debatendo teorias da comunicação, aprofundando suas vivências, se preparando para os desafios jornalísticos com ética e qualificação. As redes sociais são plataformas importantes como propagação de notícias. Instrumentos valiosos inclusive de fiscalização e denúncias. Mas também servem para mentiras serem espalhadas, pessoas serem difamadas.


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Já falei aqui: várias pessoas que pregam a moral, que questionam a ética dos outros, que estão cobrando corretas posições de autoridades, emprestam sua credibilidade seguindo fakes, personagens falsos que agridem outras pessoas sem se identificar – será que sabem se a pessoa é racista, estupradora, violenta, caloteira? Os fakes batem e se escondem no anonimato. Quem se esconde atrás de perfis falsos prefere a covardia. E, incrivelmente, muitos pregadores da moral e dos bons costumes seguem estes perfis que disseminam calúnias, difamações, ataques ou ódio. Ah, cabe ressaltar: liberdade de expressão e de seguir o que quiser. Mas também liberdade pra externar as contradições e os desvios de uma sociedade muitas vezes irresponsável e egoísta.


Ontem, muitos hamburguenses mataram pelas redes sociais um taxista atropelado. Mas ele está vivo. Ele luta para se manter vivo. As pessoas que divulgaram sua morte estão aí pelas ruas como se nada tivesse acontecido, ignorando o sofrimento dos familiares com a falsa morte. Nada substitui o bom Jornalismo e o bom jornalista. Vida longa ao Jornalismo responsável, que busca aprender com seus erros, vibrar com seus acertos e se ajustar à modernidade.

Autor

Martin Behrend

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