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Qual a sua raça?

As cotas raciais, por mais bem intencionadas que sejam, apenas institucionalizam a chaga da segregação social

19 de Junho, 2017 às 12:51

Medidas sendo registradas na ascensão do nazismo na Alemanha. Divulgação

Recentemente o Instituto Federal de Educação do Pará (IFPA) elaborou uma tabela estabelecendo em quais características físicas os candidatos a um concurso deveriam se encaixar para disputarem uma vaga como cotistas. Basicamente, uma medição governamental para determinar a raça de forma oficial. Exatamente como faziam os nazistas que medem o nariz de um homem na ilustração do texto.


O documento (abaixo) é um absurdo, uma afronta a dignidade humana. A grossura de lábios e o formato dos dentes são avaliados. A quantidade de barba é um dos itens da planilha, bem como o tipo do cabelo, se crespo ou “encarapinhado”, e o feitio do nariz e do crânio. Até mesmo a proeminência e saliência dos “arcos zigomáticos” é questionada, seja lá o que for isso. Aliás, teria eu um arco zigomático saliente? Ou proeminente? Prefiro saliente, anote aí senhor avaliador de raças.


Este é justamente o problema das cotas raciais. Elas são racistas. Você não é avaliado como indivíduo por sua capacidade, mas por seus atributos físicos. Não seria precisamente isso o que o racismo faz? Se o problema é dar oportunidades iguais a quem não tem condições, não seria então mais lógico estabelecer cotas sociais? Ou melhor, promover uma educação básica de qualidade, para que todos pudessem competir quando adultos em condições iguais? Afinal, seria a única solução disponível para diminuir a desigualdade esta na qual medirão o nariz e os dentes de alguém? Aliás, você se sente à vontade ao responder sobre “raça” para humanos em pleno 2017?


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Não se repara uma injustiça passada criando uma nova injustiça. As cotas raciais, por mais bem intencionadas que sejam, apenas institucionalizam a chaga da segregação social e invariavelmente desembocam em planilhas que avaliarão a raça de um indivíduo. E isso tudo não na Alemanha de antigamente, mas no Brasil de agora.




Autor

Rodrigo de Bem Nunes

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