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Há 60 anos, polêmica na Câmara: mais de 50% dos vereadores viajaram para congresso no Rio

Sessão de 2 de maio de 1957 teve a presença de apenas três vereadores; seis foram para Congresso no Rio

27 de Maio, 2017 às 18:15

Registros da polêmica e do congresso nas páginas do jornal O 5 de Abril

A polêmica das viagens na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo não é fato recente. Há 60 anos, uma grande discussão envolveu não só a comunidade hamburguense, mas ganhou destaque na imprensa estadual. A discussão de seis décadas atrás é a mesma de hoje: em quais eventos ou atividades vale a pena o Legislativo estar presente? É importante usar recursos públicos em passagens de avião e diárias em quais circunstâncias? E se a viagem representar a vinda de uma empresa a se instalar no município ou a captação de recursos federais para investimentos na cidade? É uma discussão que segue até hoje, sendo que em 2017 - seis décadas após essa polêmica - a Mesa Diretora praticamente não está liberando diárias e viagens aos vereadores.


Pois em abril de 1957 foi realizado o 4º Congresso Nacional dos Municípios no Rio de Janeiro, que ainda era a capital federal. E a Câmara de Novo Hamburgo se fez presente com seis de nove vereadores. Viajaram para o Rio: Alcides Friedrich, Adalberto Alexandre Snel, Walter Merino Delgado, Alberto Mosmann Filho, Adão Rodrigues de Oliveira e Mário Pereira.


Essa situação, com o risco de não ter sessão no Legislativo em função da viagem de mais de 50% dos integrantes da Câmara, ganhou destaque nas páginas do jornal O 5 de Abril. Na edição de 26 de abril de 1957, um “A pedido” foi assinado pelos presidentes municipais do PTB, Seno Ludwig, do PRP, Plinio Arlindo de Moura, e da UDN, Divo Nilson Sperb. Com o título “Esclarecimento à opinião pública”, o trio informava que houve uma reunião com os vereadores Adão Rodrigues de Oliveira (PTB), Aloisio Alcides Friedrich (PRP) e Alvicio Luiz Klaser (UDN) a fim de que o trio ponderasse sobre a necessidade da comitiva composta por seis vereadores ter essa expressiva representação.


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Os vereadores comprometeram-se a reexaminar o assunto, mas mantiveram a decisão já tomada de viajar. Com isso, registrou-se no “A pedido”, "os Partidos signatários sentem-se no dever de reprovar, publicamente, a atitude dos seus já mencionados vereadores, ficando assim esclarecido ao povo que fizeram tudo que estava ao seu alcance para evitar que se consumasse a condenável atitude tomada pela Câmara Municipal que ao invés de enviar apenas dois ou três dos seus membros ao Congresso acima aludido, entender de mandar a quase totalidade de seus componentes”.


CORREIO DO POVO


Na edição seguinte, de 3 de maio de 1957, o jornal O 5 de Abril publicou outro “A pedido” a partir de transcrição do que havia sido publicado no jornal Correio do Povo. O texto começa destacando o município: “Novo Hamburgo sempre figurou no noticiário da imprensa com as mais honrosas menções. Ora por constituir o maior parque fabril do Estado, ora por ser o município que, apesar do seu diminuto território, mais vultuosa arrecadação proporciona aos cofres estaduais e da União...”


Lá pelas tantas surge a crítica: “Não poderia deixar de surpreender, portanto, que exatamente em meio de uma comunidade cujos títulos servem de orgulho ao país inteiro, surgisse esse estranho episódio, do qual se têm ocupado os jornais referente ao forçado recesso que entrou a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, em face da partida, para o Rio de Janeiro, de delegação composta de dois terços da mesma, a fim de representá-la no Congresso Municipalista que anteontem se inaugurou. Essa lamentável atitude, que resultará na suspensão das atividades da Câmara por falta de quórum, não passou, porém, sem generalizada censura aos edis que se arvoraram delegados-turistas à custa dos cofres municipais...”


SESSÃO COM TRÊS VEREADORES


O fato é que a sessão de 2 de maio de 1957 da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo acabou sendo realizada com a presença de apenas três vereadores: Niveo Friedrich, Alfredo Marotzky e Urbano Arnecke. Essa sessão foi registrada na Ata 12/57. Mesmo podendo ter violado o parágrafo 3º do artigo 19 e artigo 20 da Lei Orgânica do município, a sessão acabou sendo realizada com menos de 50% dos integrantes.


Na sessão seguinte, de 8 de maio de 1957, ocorreu a prestação de contas dos vereadores que estiveram em viagem no Rio de Janeiro. A Ata 13/57 foi publicada na edição de 17 de maio de 1957 do jornal O 5 de Abril, e lá constava: “O vereador Alcides, presidente da Câmara, agradeceu a solidariedade recebida, e informou que a Delegação, efetivamente, muito fizera em defesa dos interesses da Comuna, pois trabalhara denodadamente, o que será provado pelo relatório a ser apresentado.” Também foi registrado na Ata 13/57: “O vereador Adão Rodrigues de Oliveira, com a palavra, disse que afirmara que objetivamente, concretamente, nada se obteve, de momento, do Congresso, mas que a Delegação de Novo Hamburgo desempenhou airosamente sua missão e justificou plenamente sua ida à Capital Federal.


Na edição anterior, no dia 10 de maio de 1957, o jornal O 5 de Abril trouxe reportagem de capa com Adalberto Alexandre Snel. Ele foi o primeiro vereador a retornar a Novo Hamburgo e relatou desdobramentos de sua viagem, que incluiu uma parada em São Paulo. Segundo Snel, um dos frutos de sua viagem ao centro do país poderia resultar na instalação de grande empresa no município. Finalmente, em 24 de maio, o jornal O 5 de Abril registrou reportagem na capa a Declaração de Princípios da Bancada Gaúcha ao 4º Congresso dos Municípios.

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