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Exportações de calçados em queda e governo Temer ainda aumenta carga tributária das indústrias calçadistas

Crescimento do primeiro trimestre deste ano não se confirmou nos embarques de abril

10 de Maio, 2017 às 08:27

Na sexta-feira da semana passada, a senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP) esteve palestrando na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo num evento promovido pelo setor coureiro-calçadista. E ela deu o recado sobre uma medida do governo do presidente Michel Temer (PMDB) com a retirada da desoneração da folha de pagamento para os setores de têxteis, de móveis e calçadista. “São 14 milhões de desempregados no pais. Esse gesto (do governo Temer) não tem lógica do ponto de vista da geração de empregos”, frisou.


Ana Amélia lembrou que empresários estão sendo convidados a levar suas empresas – e naturalmente os empregos – para outros países, com destaque para o Paraguai. “Esta “reoneração” prejudica a competitividade no mercado doméstico e também no exterior, em função do aumento dos preços”, destacou, lembrando que está trabalhando para reverter essa situação. Ela encaminhou emenda à MP 774 para que seja mantida a desoneração da folha de pagamento.


E Ana Amélia Lemos tem razão. Além da questão cambial, o aumento de custos tem diminuído a competitividade do produto brasileiro no exterior. Resultado: recuo nas exportações. O mês de abril, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), aponta para uma queda nos embarques de calçados na ordem de 1,1% em volume e incremento de 14,8% em valores gerados no comparativo com igual mês do ano passado. O mês quatro fecha com a exportação de 8,33 milhões de pares por US$ 79,26 milhões.


No comparativo com março, a queda é expressiva, de 22,8% em pares e 17,5% em dólares. No acumulado dos quatro meses do ano, as exportações chegaram a 39,67 milhões de pares e US$ 338,27 milhões, queda de 1,5% em volume e aumento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2016.

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O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que o movimento de queda é resultado de vendas com um real valorizado sobre o dólar, o que encarece o preço do produto nacional. “Quando essas exportações que estão chegando às estatísticas hoje foram negociadas o dólar estava na faixa de R$ 3,15, um valor que torna a nossa competitividade muito difícil além-fronteiras”, comenta.


Segundo o executivo, para compensar o alto custo de produção no Brasil, o dólar ideal deveria gravitar entre R$ 3,50 a R$ 3,60. O executivo avalia, ainda, que dificilmente os exportadores terão algum incremento nos embarques ao longo do ano.

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