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Um ex-presidente anilado às lágrimas: “Esperamos 106 anos! Que pecado com nosso clube!”

Ex-dirigente do Novo Hamburgo está inconformado com a decisão do Gauchão em Caxias do Sul

02 de Maio, 2017 às 19:49

Este espaço no Portal Martin Behrend é do colunista Martin Behrend. Neste caso, é do torcedor Martin Behrend. Que teve o avô Werner Behrend vestindo o manto anilado e sendo um grande apoiador do clube. Que já foi sócio e hoje é apenas torcedor por questões profissionais. Que teve a empresa do pai patrocinando o anilado. Que teve o irmão chegando escoltado com a delegação do Noia em Pelotas. Que foi pra Taquari ver o Novo Hamburgo subir de divisão. Que viu o Noia calar o Beira-Rio no domingo passado.


A decepção com a definição do palco do Gauchão é um soco no estômago para quem gosta do Novo Hamburgo e de Novo Hamburgo. Noia e Inter vão decidir o campeonato de 2017 no Estádio Centenário, em Caxias do Sul, a partir das 16 horas. Não terá a pressão do alambrado. Não terá bafo na nuca do treinador adversário. Não terá o ambiente do Caldeirão do Vale.


Eu estou triste. Mas não chega perto da dor que externou um ex-presidente anilado. Roque Zeni, presidente anilado em 1981 e 1985, campeão do Interior na década de 1980, dirigente por sete anos consecutivos. Ele me telefonou logo após o anúncio da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). E chorou. Chorou muito. Disse que sua família chorou. O neto que vai à escola com a camisa do Noia também estava muito chateado,


Zeni desabafou. “Esperamos 106 anos para decidir um Campeonato Gaúcho em nossa casa. Alguém parou pra dimensionar isso? Alguém sabe o que representa isso para a imagem do clube? Por que não houve mais dedicação? Que pecado tirar essa decisão daqui”, lamentou enxugando as lágrimas. “Quanta omissão! Por que não se trabalhou de madrugada? Por que não se procurou a Prefeitura? Por que a prefeita não interferiu com mais força? Por que os dirigentes não convocaram um mutirão? O que os bombeiros pretendem com isso? Qual o interesse da federação? Por que deixaram isso acontecer?”, questionou um inconsolável ex-presidente.


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O ex-presidente disse que quase passou mal quando veio o anúncio. Ele disse que não sabe como vai dormir esta noite. “A nossa honra foi deixada de lado. As pessoas não dimensionam o prejuízo na imagem da cidade e do clube. Eu não estou acreditando que com esse lindo trabalho do Beto Campos e da equipe não conseguimos ter essa decisão em Novo Hamburgo”, finalizou.


UM PEDIDO DE TORCEDOR


Max, meu filho de 8 anos, passou o domingo de Páscoa com a camisa do Noia. No dia 20 de abril ele completou 8 anos e passou toda festa com a camisa do Noia. Não foi no Estádio Beira-Rio, embora tivesse implorado. Ele estava sonhando com um domingo de outono vendo o Noia na final do Gauchão. No Estádio do Vale, não no Centenário.


Em 1947, a arbitragem tirou o título do Noia numa grande decisão contra o Inter e seu Rolo Compressor. Deu Inter campeão e Novo Hamburgo vice-campeão. 70 anos depois, o drama se repete.


Matheus Cavichioli; Léo, Júlio Santos, Pablo e Assis; Amaral, Jardel, Preto e Juninho; Branquinho e João Paulo. Técnico: Beto Campos. Vocês estão sendo grandes. É uma covardia pedir que justamente vocês reparem esse erro histórico. Vocês venceram seis partidas seguidas. Vocês jogaram por 5 vezes contra Grêmio e Inter – e não perderam. Vocês têm a melhor campanha do Gauchão 2017. Vocês já escreveram seus nomes na história do clube. Jogar em Caxias não era vontade de vocês. Sabemos. Mas é um último pedido. Um último desejo. Um último apelo. Voltem campeões de Caxias do Sul e inundem de absoluta grandeza os corações anilados.

Autor

Martin Behrend

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