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A burka

Quando uma jovem diz que o meu namorado não quer, está enfiada numa burka que vai se perpetuar pela vida afora

28 de Março, 2017 às 15:29

Existe a burka física e a burka interna, euristida, encravada. Divulgação

Sabe, é aquela mistura de barraca e gaiola que os homens do Talibã, facção político-religiosa que habita o Afeganistão, impõem às suas mulheres para andar em público. Para o mundo todo, especialmente o Ocidente, é claro, afigura-se o pseudo-traje como o maior símbolo da submissão feminina, numa degradação da mulher como ser vivo do reino animal. Então, esta é a burka física, feita de pano, plástico, madeira, ou qualquer material que suporte aquela estrutura machista.


Agora, vamos parar um pouco para pensar no significado ético e moral do caso... Sendo implementada e usada parece que especificamente para uma manifestação de propriedade, de submissão a um comando proprietário que supõe um retorno de obediência, uma conduta ostensiva de proprietário e produto, será que só existe em uso externo? Pois acho – não, tenho segura certeza – que existem muitas outras burkas por aí ao redor de nós. Porém, é claro, que são burkas internas, enrustidas, encravadas lá no fundo do inconsciente, achatando, deformando, destruindo a personalidade de tantas mulheres que no fundo, no fundo, também aceitam a subserviência e acatam esta pseudo escravidão imposta por seus homens – ocidentais e civilizados até.


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Porque eles vestem suas mulheres com uma burka moral que elas se dispõem a carregar mesmo sem ter consciência de sua conduta. Mulheres que aceitam estar sempre disponíveis quando seu amo e senhor retornar do trabalho, da escapada, da diversão ou do prazer, e que estejam atentas para as necessidades e ordens emanadas por sua real majestade doméstica.


Então, quando uma jovem diz que o meu namorado não quer, ou uma senhora diz que o meu marido não deixa, estão enfiadas numa burka que vai se perpetuar pela vida afora. Mas se isso for possível ainda tem pior, quando além de cumprir com as tarefas do lar ela é obrigada a trabalhar fora e entregar todo resultado do seu esforço laborioso ao seu patrão doméstico. É a sua burka.


Quer dizer, tornam-se dignas de pena as mulheres afegãs porque precisam circular com suas burkas exibidas sobre o corpo. Mas não são diferentes de tantas outras mulheres que carregam suas burkas no inconsciente, escondidas das vistas alheias aparentando segurança e independência, mas que não conseguem disfarçar o cabresto que as conduz conforme a vontade do seu dono.


Para encerrar, o lembrete de uma escritora: as superstições religiosas das mulheres perpetuam sua servidão mais que todas as outras influências adversas. ES.

Autor

Claudio Behrend

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