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As mulheres que não servem

​Naturalmente que no Dia Internacional da Mulher, o centro das homenagens seja a mulher, certo? Mais ou menos.

08 de Março, 2017 às 19:06

Mary Keller foi a primeira mulher a receber o título de Ph.D em ciências da computação nos EUA

Naturalmente que no Dia Internacional da Mulher o centro das homenagens seja a mulher, certo? Mais ou menos. O 8 de Março caminha cada vez mais para ser o dia de “certas mulheres”. Sim, pois há mulheres que não servem a narrativa da força e da liberdade feminina, tão festejadas hoje. Prova recente deste fato foi a reação negativa à reportagem da revista Veja, feita já há algum tempo, sobre a primeira-dama Marcela Temer, descrita como uma senhora bela, recatada e do lar. Inúmeras mulheres correram para as redes sociais para criticar e ironizar o suposto machismo da matéria, esquecendo-se que ser “bela, recatada e do lar” pode ser sim uma honrosa opção.


Mas as mulheres que não servem à narrativa da “independência” não são apenas donas de casa.



Tente lembrar da última vez que você viu um tributo à vida e obra da freira italiana Maria Gaetana Agnesi, que em 1727, com apenas 9 anos, preferiu um discurso em latim sobre o direito feminino a educação e posteriormente tornou-se a primeira mulher do mundo a ter uma cátedra universitária em matemática por suas publicações sobre cálculo diferencial e integral.



A freira Mary Kenneth Keller, outra mulher notável, também dificilmente será homenageada no dia de hoje. Algo difícil de entender, já que esta foi, em 1965, a primeira mulher a receber o título de Ph.D em ciências da computação nos EUA. Mary Keller foi também uma das desenvolvedoras do BASIC, linguagem de programação conhecida entre 10 de 10 programadores até os dias de hoje.



E o que dizer de Marie Curie, não apenas a primeira mulher, mas a primeira pessoa na história a ser laureada com dois prêmios Nobel, em Física (1903) e Química (1911). Marie Curie não foi apenas uma cientista fenomenal, foi também esposa devota e mãe provedora de uma educação exemplar; sendo sua filha Iréne Curie, também laureada com o Nobel de Química, em 1935.


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Outras mulheres, em tempos mais recentes, também fizeram história. No campo da política, temos a dama de ferro Margaret Thatcher, primeira mulher a alcançar o posto de primeira-ministra britânica, liderando o governo inglês por 11 anos, entre 1979 e 1990. No ramo dos negócios, temos a texana Carly Fiorina, presidente por 6 anos (entre 1999 e 200) da HP, uma das maiores empresas do mundo no ramo da tecnologia. Um detalhe aqui chama atenção; Carly começou sua carreira como secretária, tendo suas conquistas sido feitas por mérito totalmente próprio.


Tente encontrar homenagens a estas mulheres no dia de hoje. Alguma referência ao seu legado, algum programa de TV, alguma reportagem sobre a contribuição das mulheres aqui mencionadas à sociedade. Você não vai encontrar. Sabe por quê? Elas não defenderam o aborto, não fizeram fotos sensuais empoderadas, não cantam hits lacradores, não picharam muros, não protestam em vídeos no Facebook e o mais importante: não defenderam o feminismo. Então você sabe como é, freiras intelectuais devotas, cientistas patriotas orgulhosas do marido e dos filhos, políticas e executivas conservadoras de sucesso... não servem.

Autor

Rodrigo de Bem Nunes

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