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O futebol do interior é maior que os “milhões da TV”

Proposta de cotas de TV para o próximo Gauchão é de chorar para os clubes do interior

03 de Novembro, 2016 às 11:19

Presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto. Marcelo Campos/FGF

A minha paixão pelo esporte, principalmente o futebol, não tem a ver só com a minha formação em jornalista, muito pelo contrário, foi o esporte que me fez decidir pela carreira na comunicação. E tudo começou perto da casa dos meus pais. No antigo Estádio dos Eucaliptos, hoje Sady Schmidt. Minha infância como torcedor do 15 de Novembro me garantiu uma simpatia – para não dizer paixão – pelo futebol do interior que segue viva mesmo o 15 estando com suas atividades paradas. Pois bem, notícias a cada dia me deixam preocupado com o futuro do futebol do interior.


As dificuldades financeiras dos clubes não são novidade para ninguém, mas muitos dirigentes guerreiros se esforçam e conseguem promover futebol e garantir a alegria aos domingos à tarde para seus torcedores fieis. Pois não é que a entidade que mais deveria fortalecer todos esses esforços e contribuir para o desenvolvimento do futebol no interior do estado parece ser a maior inimiga dos clubes? Sim, falo da Federação Gaúcha de Futebol. Não vejo esforço da turma de Francisco Noveletto para que o interior seja alavancado, competitivo e o principal, sustentável.


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A última notícia é que a proposta da Rede Globo para a transmissão do Campeonato Gaúcho de 2017 foi de redução de 50% da cota dos clubes do interior e aumento nos valores da dupla Gre-Nal. Como assim? Aumento para a dupla de Porto Alegre que possui receitas milionárias e redução para os clubes que mais precisam destes valores. Não posso acreditar que o mandatário – ou ditador – do futebol gaúcho e os clubes irão aceitar tal proposta. Será mesmo que os clubes precisam da TV para que o campeonato exista? Se as dificuldades já são enormes e mesmo assim o futebol acontece, que “batam o pé” e não aceitem tal absurdo.


Chegou a hora de união no interior. Chegou a hora de mostrar que os clubes podem ser maiores que uma emissora de TV. Esperar cooperação de Grêmio e Inter é improvável, afinal não estão nem um pouco preocupados com nossos clubes. Juntem-se, rebelem-se, firmem posição e garantam a dignidade de seus clubes e suas torcidas. Tenho convicção que um futebol sem o dinheiro da TV seja fraco tecnicamente, mas será muito mais coração. E com certeza, seria uma nova era e uma nova forma de pensar no futuro de nossos clubes.

Autor

Cássios Diogo Schaab

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