NOVO HAMBURGO

25°C

Publicidade

Visita à casa de Marx e uma náusea intestina

A sua obra está muito além do meu julgamento. Mas, como homem, não gostava de trabalho, era mulherengo, boêmio e deixou seus filhos morrerem de fome!

06 de Outubro, 2016 às 16:31

Museu de Karl Marx fica na cidade de Trier, a mais antiga da Alemanha. Divulgação

Trier é a mais antiga cidade alemã, datada do ano 16 AC, fez parte do império romano, e já foi considerada a Roma do norte. Tem um valor histórico imenso pelas suas construções da era medieval e também pela sua própria trajetória até hoje. É uma cidade universitária e por isso mesmo uma cidade alegre, muito cheia de vida.


Mas nunca imaginei que fosse a terra de Karl Marx, endeusado e idolatrado nos meios acadêmicos da Sociologia, de que eu também fiz parte. E eu estava ali, era só ir visitar o seu museu. Minha curiosidade pelos grandes nomes da História é conhecer um pouco de suas vidas pessoais, já que suas obras são sobejamente conhecidas. Seus legados também. Pelos mesmos motivos li o livro “A Vida Privada de Mao Tse Tung”, de quase mil páginas.


Apesar de Karl Marx ser reconhecido como o filho mais ilustre da cidade, isso é dito em voz meio baixinha, como se existisse um pouco de vergonha no fato. Nasceu em 1818, dez anos após D. João VI ter emigrado com toda família real para o Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte.


Publicidade


O museu é a casa onde ele viveu a maior parte da sua vida, principalmente a infância até a juventude. Descendente de uma família de classe media alta, pôde frequentar a universidade de Bonn e depois a de Berlim. Foi nesta última que começaram as suas ideias revolucionárias através dos filósofos da escola hegeliana. Alem de uma vida boêmia.


Abandonou a sua carreira (era para ser advogado) e foi ser jornalista, onde começou a publicar suas ideias de uma nova ordem na sociedade. O jornal foi fechado pelo poder dominante (bem Marx esta expressão, não?) e ele foi para Paris.


Mas, antes disso, manteve uma relação escondida por mais de seis meses com uma moça da mesma cidade, também de classe média alta, e depois veio a se casar com ela, apesar da oposição ferrenha da família dela. Ganharam de presente dessa família joias e dinheiro, e gastaram tudo numa semana de lua-de-mel.


Com o desenvolvimento da revolução industrial na Europa, as ideias dele eram como fogo na pólvora, e assim onde ele passava, de exílio em exílio, ou de retorno, em seu nome, e com sua participação ativa, houve muitos movimentos e revoluções.


A família ficou de um lado pro outro, cada vez mais pobre e, na verdade, vivia do que a sogra lhes provia. Tiveram seis filhos, dos quais dois morreram antes de chegarem a 1 ano por falta de recursos de toda espécie, e o último foi um natimorto pelos mesmos motivos. As três filhas sobreviventes suicidaram-se em idade adulta. Ele introduziu ainda uma outra mulher no convívio familiar, como “governanta”, mas era, na verdade, sua amante. Ele a engravidou, mas o filho bastardo ele doou para seu companheiro de empreitada – Engels, que o colocou em adoção. Ele só foi conhecer seus irmãos depois da morte do Pensador.


Engels, por sua vez, vivia do que vinha das empresas do pai, ou seja do lucro do capital, e também ajudava financeiramente Marx. Ou seja, viviam daquilo em que cuspiam. Em seu ultimo exílio em Londres, no Soho, Marx e família viveram amontoados num corredor, sem a menor condição, sofrendo de fome e de frio. Em 1882, a sua esposa morre de câncer e ele foi proibido pela família dela de comparecer ao funeral pelos maus tratos durante a sua vida. Ele durou só mais 15 meses, pois segundo Engels, ela era seu esteio.


A sua obra está muito além do meu julgamento. Mas, como homem, não gostava de trabalho, era mulherengo, boêmio e deixou seus filhos morrerem de fome! Parecia mesmo condenar o capital, e os capitalistas, para justificar a sua própria falta de vontade de trabalhar. Como alguém que perdeu o dedo em tempos remotos, e passou a vida inteira fazendo politicagem nos sindicatos. Quando subiu ao poder, mostrou a que veio.


E da minha visita ao museu guardo uma profunda náusea intestina.

Autor

Edela Land

Saiba mais

RECEBA EM PRIMEIRA MÃO

Sem spams comerciais. Apenas informação.

Publicidade
Publicidade

PARCEIROS