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Guarda-sóis

Estamos na Itália, na Riviera Adriática. Mais precisamente, em Margherita di Savóia.

07 de Julho, 2016 às 14:12

Dubai? Tailândia? Vietnã? Nordeste Brasileiro?! Não, estamos na Itália, na Riviera Adriática. Mais precisamente, em Margherita di Savóia, um centro de Benessere, de Águas Termais e de Salinas, desde os tempos romanos. Em linha reta, atravessando o mar, a mais ou menos 100 quilômetros da Croácia.


A Itália tem uma legislação muito peculiar no que diz respeito à exploração das praias de sua costa. As áreas à beira-mar, como no Brasil, pertencem ao governo (quer dizer, ao povo italiano). O governo, porém, pode alugar para alguém que queira construir infraestrutura de restaurante, alugando guarda-sóis, cadeiras para banho de sol, banheiros, chuveiros, playground, música e muitos outros quesitos. Esses locatários, por sua vez, passam a cobrar ingresso no LIDO – é assim que se chamam estes espaços – e alugam as cadeiras, os guarda-sóis e outros benefícios. O preço mínimo por pessoa com um guarda-sol e uma cadeira, é de 7,00 a 10,00 euros. Ou seja, uma família de quatro pessoas, por dez dias, gasta de 280,00 a 400,00 euros, (cerca de R$ 900,00 a R$ 1.400,00) só para poder ir à praia.


Existem também espaços vazios sem LIDOS, que são deixados para as pessoas que não podem ou não querem ter essa despesa. Nesses locais não existe nenhuma preocupação da Prefeitura em manter o mínimo de limpeza. São verdadeiros depósitos de lixo e, portanto, não se pode utilizá-los, a menos que a pessoa não se importe com isso.


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Os proprietários dos LIDOS usam muita imaginação e criatividade para atrair clientes, já que o mar e a areia são sempre os mesmos para todos. Alguns têm até discoteca na areia de dia, e outros, à noite. A música só é permitida das 10 às 13 horas e das 16 às 18 horas. De noite, após às 22 horas, é livre, já que não é permitido construir moradias a menos de 800 metros da praia. Os cardápios dos restaurantes também não variam muito: pizzas e frutos frescos do mar – uma delícia!


A limpeza dos locais é surpreendente: tem até máquina que revolve a areia e retira eventuais lixos pequenos, como tocos de cigarros, e a praia fica lisa, com o visual de varrida. As areias são escuras, quase pretas, como as monazíticas, e aquecem muito, servindo para tratamento de artrose. Mas, por outro lado, é impossível, andar descalço. O mar é uma lagoa turquesa pela manhã e com ondas maravilhosas à tarde. É como um mar de bandeira branca, com águas com temperatura de mais ou menos 25 graus – maravilha!!


O calcadão à beira-mar, no centro da cidade, está dividido ao meio por coqueiros, rasos e corposos, como numa praia do nordeste brasileiro. E assim, os que vão e os que vêm, tem uma pista definida. De noite, a partir das 22 horas, enche o calçadão, com pessoas de todas as idades, do nenê ao vovô e vovó. Todos super bem arrumados, se apresentam à sociedade, a vovó vai se deliciar com um gelato, e o vovô com um bichieri di Vino!


O que muda mesmo, e o que deixa o local tão peculiar, são os guarda-sóis tão diversos, tão belos, que criam diversas atmosferas diferentes, na mesma praia, no mesmo mar.


Tem os de palha, às vezes lembrando a Tailândia, o Vietnã, às vezes lembrando cabanas de índios, às vezes lembrando praias da Polinésia. Tem as de tecido, lembrando tendas árabes, outras lembrando resorts de luxo. Tem as tradicionais de lona listradas, nas mais diversas cores e tamanhos. Tem até verde-amarela – e meu coração salta apressado: será um brasileiro? Não – e não tem caipirinha... É uma exposição de criatividade! Cada LIDO usa um tipo de guarda-sol, e são todos fixos, de uma forma simétrica, e a estaca fica ali o ano todo.


Os italianos, como os argentinos, vão para praia pela manhã, levam o almoço – ou almoçam no restaurante local – fazem a siesta nas cadeiras de praia, voltam ao banho de mar e, no final da tarde, cansados, crianças chorando, mães berrando, ao melhor estilo italiano das mammas, voltam para casa num enorme congestionamento!


Qualquer semelhança fica por conta da latinidade...

Autor

Edela Land

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