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Amor em metro

Vi numa propaganda. Certamente foi criada para valorizar um produto, mas me passou muita tristeza.

09 de Junho, 2016 às 08:27

Vi numa propaganda. Certamente foi criada para valorizar um produto, mas me passou muita tristeza.


Dois rolos de papel higiênico de marcas diferentes se encontram e, imediatamente, se enamoram. Se rolam, ou melhor, se desenrolam pela vida afora, correndo pelos campos, praias, montanhas. Céu azul, sol, a vida é uma maravilha. Correm juntinhos até que um dos rolos acabou, e ficou só aquele rolinho pardo, feio.


O outro rolo voltou para ver o que era, cutucou, cutucou, mas o pardinho não saia do lugar. Nisso passou uma carga de rolos pela estradinha, e todos os rolos novos chamavam o rolo enamorado: venha conosco, vamos aproveitar a vida, venha! E o rolo se foi junto com a turma nova.


Aquela marca tinha mais metragem no rolo. E o pardinho ficou no meio da grama, para ser tragado pela chuva, pelo vento. Tudo o que viveram juntos, foi esquecido, a alegria frenética da nova turma é o que falou mais alto. O amor instantâneo deles certamente os impediu de avaliar suas metragens individuais antes de começar o namoro.


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Cada vez que vou comprar papel higiênico me lembro disto, e compro sempre a mesma marca, sabe-se lá o que acontece no escurinho do armário onde eles ficam guardados ...


Trazendo para a nossa vida, dá muito o que pensar! Amar uma pessoa significa achar interessante ficar se desenrolando em volta do rolinho quando sobrar só o “pardinho”. Ou sair e voltar contando novidades. Protegendo e cuidando do “pardinho” companheiro de tantas horas boas.


Na turma da alegria frenética, o rolo enamorado vai ser o primeiro a ficar pardinho e, com certeza, voará do caminhão. Sem a menor consideração. Com certeza, a intenção da propaganda não foi essa.

Autor

Edela Land

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