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Tragédia na tragédia

A mentira, um dia ou outro, aparece, e é sempre melhor assumirmos nossos atos, no tempo certo.

02 de Junho, 2016 às 17:04

Carmelo era casado com Bibiana e moravam num borgo tranquilo, na Itália. Não tinham filhos. Eram felizes, dentro do padrão. Laura era casada com Luigi, moravam no mesmo borgo, tinham filhos e eram felizes, dentro do mesmo padrão. Laura tinha sido a primeira namorada de Carmelo, mas o assunto tinha terminado há muito tempo.

Mas, um dia, Carmelo encontra Laura num momento de vida sem graça para ambos e bastou um toque de mão para a paixão florescer de novo. Se encontravam às escondidas, até que um dia Laura informou estar grávida. Para o bem da hipocrisia da sociedade, resolveram deixar tudo como estava e cada um se recolheu à sua família. Se o filho fosse de Carmelo, isso nunca seria revelado e o segredo com eles morreria.


E assim a vida passou. Agora, já velhos, a polícia bate na porta de Carmelo e informa que ele deve ir prestar depoimento, porque é acusado de estuprar e matar uma menina de 14 anos! Embora isso fisicamente já não teria sido possível, Carmelo foi conduzido à delegacia local.


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Lá chegando, foi informado que o exame do DNA do estuprador coincidia com o dele e, portanto, teria de se explicar. Como teriam tido acesso ao DNA de Carmelo, não sei. Me baseio nas noticias. Muito surpreso com tudo, e alegando a sua inocência, foi tomado de profundo medo e pesar.


A menina tinha sido encontrada em um terreno baldio na frente de uma construção, a poucos passos de onde morava, numa outra cidadezinha, longe do borgo de Carmelo e Bibiana. Depois de muito pensar, Carmelo decidiu tornar público o seu caso com Laura, e que talvez o filho de Laura não seria de Luigi, mas, sim, dele.


Exames feitos e constatado: estava o mesmo DNA. Além disso, esse filho era pedreiro e trabalhava justamente na construção onde a menina foi encontrada. A mulher do presumido assassino, porem, depôs a favor do álibi do marido. Mas alguns dias depois chegou na delegacia cheia de hematomas, dizendo que o marido a estava obrigando a mentir e que tinha medo de ser morta também.


E o bandido continuou a negar o crime. Foi julgado e condenado ao ergastolo, ou seja, prisão perpétua. Por que este relato?


Primeiro, porque os homicídios ainda são possíveis de serem informados no jornal da 20 horas aqui na Itália. E são dados flashes de toda e qualquer novidade relevante das investigações e julgamento para que o público saiba que existe uma investigação séria e inteligente. E que o crime não compensa.


Segundo, porque mentira, um dia ou outro, aparece, e é sempre melhor assumirmos nossos atos, no tempo certo, para que os que queremos bem não tenham a sensação de ter vivido uma vida de mentira, falsa.

Autor

Edela Land

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