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Lojinhas chinesas jamais encontradas

Nos anos 80, me deparei com muitas coisas na China daquela época que, definitivamente, marcaram para toda vida.

22 de Maio, 2016 às 14:58

Roupas expostas ao sol e penduradas em cabides em frente a residências na China. Divulgação

Pelos idos dos anos 80 o mundo era diverso. Mas, principalmente, a China era muitíssimo diversa de hoje. Autoestradas foram construídas como num passe de mágica, além de ferrovias, trens e prédios grandiosos. Tanto isso é verdade, que um amigo chinês que veio a Novo Hamburgo, em 1987, viu a ERS-239 em obras. Vários anos depois, ele voltou e viu a 239 ainda inacabada, ao que perguntou: “Essa estrada está sendo construída por uma pessoa só?”


Mas nos anos 80 me deparei com muitas coisas na China daquela época que, definitivamente, marcaram para toda vida. Das mais cruéis até as mais bizarras. Pois, hoje, maio de 2016, andando por cidadezinhas do interior da Alemanha, na região do Pfalz, vi varias lojinhas expondo as suas mercadorias dependuradas em cabides, na vitrine. Isso me trouxe de volta uma lembrança inesquecível.


Andando pela China, de fábrica em fábrica, naquela época, para acompanhar os pedidos de produção, muitas vezes passava por “lojinhas” com as roupas dependuradas em cabides para o lado de fora. Mas nunca dava tempo parar. Então, num dia com mais folga, pedi aos nossos chineses para nos levar às lojinhas. Já que nas grandes lojas os preços eram mais em conta, imagine-se numa lojinha pequena, em que provavelmente as roupas eram feitas pelos proprietários.


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Por mais que eu me esforçasse, eles não me entendiam. “Small shop, with clothes outside? We have never seen it!” E prometeram: assim que avistassem uma delas parariam imediatamente. E assim foi. Paramos. E o que era? Eram casas particulares. Eles secavam suas roupas penduradas em cabides para o lado de fora, porque não tinha outro espaço...


Realmente, por culpa da minha miopia, talvez não tenha visto que se tratavam de roupas usadas. Já naquela época não existiam lojas pequenas, tudo era grande. A confecção feita em casa, como eu achava, também não existia, tudo era feito em grandes fabricas. Era bem difícil aceitar que a maneira de começar pequeno e ir crescendo, como aprendi em casa, ali não existia. Artesãos não existiam. A máquina da produção os engolia.


Mas os cabides dependurados na rua nunca mais sairão de minha lembrança. Serão eternamente as minhas lojinhas chinesas jamais encontradas!

Autor

Edela Land

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