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Pé de pobre não tem número

Mas, qual é a nossa lembrança mais antiga? Talvez a primeira lembrança?

12 de Maio, 2016 às 11:14

Divulgação

Às vezes, a gente se pergunta: será que este bebê já entende? Já poderá se lembrar do que a gente fala? Mas, qual é a nossa lembrança mais antiga? Talvez a primeira lembrança?


Minha primeira lembrança foi de um par de sapatinhos – sintomático! Eu tinha uns 3 anos. Tipo bailarina-boneca, rosinha claro, e toda forradinha de branco por dentro. Era toda feita de couro, bem macia, e eu me sentia uma Cinderela com eles. Não podia usar toda hora, porque iam ficar feios e não daria para comprar outros. Mas elas eram tão pequeninhas e tão “doces”, que pareciam uma “coisinha”.


E era assim que minha mãe, e eu também, os chamávamos: “Dingelchen”, ou seja, “coisinhas” em nosso alemão-dialeto. Muito sintomático esse meu amor pelos meus Dingelchen, considerando que até hoje sou louca por sapatos, e fiz desse amor o meu ganha-pão.


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Quando os Dingelchen começaram a apertar, a mãe cortou no bico (já estava todo esfolado mesmo) e assim ficou um peep-toe. Depois, começou a doer atrás, e ela cortou o calcanhar e ficou um chanel peep-toe. Depois a tira do chanel ficou curta e ela cortou a tira. E virou um chinelo. E assim duraram vários anos, porque pé de pobre não tem numero. Serve tudo.


Mas os meus Dingelchen eram lindos, e eu me senti sempre uma princesa, tanto com eles em original, como peep-toe, como chanel, ou como chinelo. Chorei muito quando parei de usá-los, e ainda assim os guardei por mais muito tempo para brincar. Eram os Dingelchen das minhas “filhas” – ah, naquele tempo as meninas brincavam de bonecas, e cada uma delas era uma filha –, até que no fim foram para o lixo.


Lixo físico, somente.

Autor

Edela Land

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